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Organizações internacionais em xeque: limites e possibilidades do multilateralismo no século XXI

  • Foto do escritor: Geo Expand
    Geo Expand
  • 6 de mai.
  • 3 min de leitura

Entre cooperação e impasses: os desafios enfrentados pelas organizações internacionais diante das novas disputas geopolíticas do século XXI





Contexto histórico: As primeiras noções de colaboração e apaziguamento


Os conflitos do séc XX evidenciaram a urgência da criação de Organizações Internacionais que visassem garantir a paz e a cooperação entre países.Tendo em vista a tamanha destruição da Europa depois da Primeira Guerra, a fim de evitar que outros grandes conflitos surgissem, houve um processo diplomático gradual no mundo todo. 


Especialmente ao final da Segunda Guerra Mundial, líderes mundiais perceberam que seria necessário criar uma organização internacional capaz de mediar a paz, sem o uso exacerbado da força, a fim de corrigir as falhas antigas da Liga das Nações (que surgiu no final da primeira Guerra, mas com fraca capacidade de conter a agressividade dos países) 


Nesse contexto, é criada a Organização das Nações Unidas (ONU), cujos objetivos consistem em manter a paz internacional, promover os direitos humanos, incentivar o desenvolvimento econômico e social, estimular a cooperação entre países, entre outros. 


1946: primeira Assembléia Geral da ONU. Foto - UN Images
1946: primeira Assembléia Geral da ONU. Foto - UN Images

  

A criação desse órgão internacional intensificou e introduziu o que se pode chamar de multilateralismo. O termo refere-se à prática de vários Estados cooperarem entre si para lidar com problemas comuns por meio de regras, negociações e instituições compartilhadas. Em vez de cada país agir isoladamente ou apenas em acordos bilaterais, o multilateralismo busca construir soluções coletivas


No decorrer dos anos, novos mecanismos permanentes de diálogo foram sendo construídos, e novas organizações internacionais se destrincharam: o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial ou a Organização Internacional do Comércio. 


No entanto, apesar dessas iniciativas e organizações, principalmente no cenário internacional atual, esses modelos começaram a ser intensamente questionados, quando vistos em contextos de crises, como a pandemia, guerras regionais, mudanças climáticas, disputas comerciais e rivalidades entre grandes potências. 


Esses contextos revelaram os limites dessas organizações: lentidão decisória, falta de representatividade, dependência das potências mais influentes e dificuldade de impor decisões. Porém, ao mesmo tempo mostraram possibilidades do multilateralismo, já que problemas mundiais podem ser resolvidos por mais de um país, não só aqueles com maior poder aquisitivo. 

 

Portanto, é importante discutir e refletir sobre uma questão central: as organizações internacionais estão em crise definitiva ou precisam apenas se reformar para continuar relevantes? 



O papel das Organizações Internacionais


De fato, o objetivo principal dos órgãos internacionais atuais é mediar conflitos, promover comércio global e normas sociais, econômicas e políticas. Porém, nos últimos tempos, têm sido evidenciados seus limites (impostos e enfrentados). 


Como por exemplo: durante os 40 anos de Guerra Fria, a baixa relevância da ONU em decorrência da exacerbada polaridade entre EUA e URSS fez com que ao final da guerra, líderes e potências mundiais esperassem que a organização tomasse um cunho mais firme.


Por volta dos anos 90 isso de fato se concretizou, uma vez que houveram diversas conferências, assembléias e fóruns para discutir problemas ambientais e sociais. Porém, hoje em dia não se vê mais uma atuação direta tanto da ONU, quanto de outros órgãos na sociedade, o que leva-se a refletir os fatores contribuintes para uma certa “queda” de influência e imposição dessas organizações. 



Mudanças de postura: possibilidades do multilateralismo e reformas nas organizações internacionais


Mesmo diante das dificuldades anteriormente citadas, a atuação do multilateralismo e das agências internacionais não está totalmente sem esperanças. Encontram-se apenas necessitando de reformas em suas estruturas. 


Exemplos disso são cooperações como o Acordo de Paris que, embora seja mais lembrado pela pauta ambiental, também envolve cooperação tecnológica. Nele, diversos países se comprometeram a reduzir emissões de gases do efeito estufa e, ao mesmo tempo, compartilhar tecnologias limpas, como energias renováveis e soluções de eficiência energética. Isso mostra como o multilateralismo pode conectar economia, inovação e sustentabilidade. 


Também vale destacar iniciativas regionais, como o Mercosul, do qual o Brasil faz parte. Além de facilitar o comércio entre os países membros, o bloco promove cooperação em áreas como inovação, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico. 


Portanto, isso demonstra que o multilateralismo não acontece apenas em escala global, mas também regional, aproximando países com interesses e desafios semelhantes. 









Sobre o artigo

O artigo analisa os desafios enfrentados pelas organizações internacionais no século XXI, discutindo os limites e as possibilidades do multilateralismo diante de crises globais, rivalidades geopolíticas e disputas de poder. A reflexão aborda o papel de instituições como a ONU, a OMS e o Mercosul, destacando questões como o poder de veto, a representatividade internacional e a necessidade de reformas estruturais para fortalecer a cooperação entre os Estados.


Autoria

Manuella Bazarello







Nota editorial

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade da autora e não refletem necessariamente a posição da instituição ou organização à qual esteja vinculada.




 
 
 

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