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O papel do Brasil na agenda climática internacional: desafios e responsabilidades

  • Foto do escritor: Geo Expand
    Geo Expand
  • 22 de ago. de 2025
  • 5 min de leitura

Introdução 

A crise climática global tornou-se um dos desafios mais urgentes do século XXI, exigindo ação coordenada entre países, governos, organizações internacionais e sociedade civil. Fenômenos como aumento das temperaturas, elevação do nível do mar e eventos climáticos extremos evidenciam que mudanças no clima afetam diretamente a vida humana e os ecossistemas. Nesse cenário, o Brasil desempenha um papel estratégico, principalmente por abrigar a Amazônia, a maior floresta tropical do planeta, reconhecida como um dos ecossistemas mais importantes para a regulação climática global.


A preservação da Amazônia é fundamental não apenas para manter a biodiversidade e os serviços ambientais que fornece, mas também para controlar o ciclo do carbono, influenciando o clima mundial. Além disso, o país tem participação ativa em fóruns internacionais de negociação climática, como as Conferências das Partes (COPs), e assume compromissos em acordos globais como o Acordo de Paris. Este artigo tem como objetivo analisar o papel do Brasil na agenda climática internacional, abordando seu impacto ambiental, participação em conferências, desafios internos e perspectivas futuras.



Amazônia e seu impacto ambiental global

A Amazônia desempenha funções essenciais no equilíbrio ambiental global. Com aproximadamente 5,5 milhões de km², a floresta absorve cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano, funcionando como um enorme reservatório de carbono. Além disso, regula os padrões de precipitação não apenas na América do Sul, mas em outras regiões, influenciando a agricultura e os recursos hídricos. A biodiversidade amazônica é incomparável: abriga milhões de espécies de plantas, animais e microrganismos, muitas ainda não estudadas pela ciência.


Contudo, a Amazônia enfrenta ameaças significativas, como o desmatamento ilegal, queimadas e atividades de mineração não regulamentadas. Entre 2019 e 2023, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que o desmatamento anual variou entre 6.500 km² e 11.000 km², com picos em áreas de grilagem de terras e exploração agrícola intensiva. Tais práticas comprometem o papel da floresta como reguladora climática, aumentando a emissão de gases de efeito estufa e alterando ciclos hidrológicos regionais.


Além disso, a destruição da Amazônia tem impactos globais, contribuindo para o aumento da temperatura média do planeta e para a instabilidade climática em diversas regiões. Especialistas alertam que a perda contínua de cobertura florestal pode levar a um ponto de inflexão, transformando partes da floresta em savana, com consequências irreversíveis para o clima global.


O Brasil nas principais conferências e acordos ambientais internacionais

O Brasil tem desempenhado papel protagonista em diversas conferências e acordos climáticos. A ECO-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992, marcou um momento histórico, com a assinatura da Convenção sobre Diversidade Biológica e a criação da Agenda 21, que estabeleceu diretrizes para o desenvolvimento sustentável. Na época, o país ganhou destaque internacional por seu compromisso com a conservação ambiental, embora desafios de implementação tenham persistido ao longo dos anos.



Em 2015, o Acordo de Paris consolidou compromissos globais para limitar o aquecimento global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais. O Brasil comprometeu-se a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em 43% até 2030, com base nos níveis de 2005. Além disso, assumiu metas específicas de controle do desmatamento e incentivo à produção sustentável de energia renovável.


Mais recentemente, nas Conferências das Partes (COPs) realizadas nos últimos anos, o Brasil tem buscado equilibrar sua imagem internacional com a realidade interna. Em COP26, por exemplo, o país se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal até 2030, destacando programas de monitoramento e políticas de incentivo à preservação. Entretanto, especialistas internacionais e ONGs frequentemente questionam a eficácia de tais medidas diante das taxas persistentes de desmatamento e das pressões econômicas sobre a floresta.


Desafios internos do Brasil na questão ambiental

Apesar dos compromissos internacionais, o Brasil enfrenta diversos desafios internos. O desmatamento ilegal continua sendo o principal problema, impulsionado por atividades como grilagem de terras, exploração madeireira e expansão agrícola, especialmente de soja e pecuária. Além disso, há conflitos entre governos locais, federais e comunidades indígenas, que dificultam a implementação de políticas públicas de proteção ambiental.


Programas como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) apresentam resultados positivos, mas enfrentam dificuldades devido à falta de fiscalização, recursos financeiros insuficientes e pressões políticas e econômicas. A crise econômica também influencia o debate entre desenvolvimento e preservação, já que setores produtivos pressionam por flexibilização de regras ambientais.



Ademais, as queimadas anuais, muitas vezes motivadas por práticas de limpeza de terras agrícolas, representam outro desafio. Elas prejudicam não apenas a saúde da população local, mas contribuem significativamente para as emissões de gases de efeito estufa, afetando o clima global. A mobilização da sociedade civil e de organizações não governamentais é, portanto, fundamental para aumentar a fiscalização e pressionar por políticas públicas mais eficazes.


Atuação do Brasil no cenário internacional

O Brasil busca fortalecer sua imagem como líder ambiental por meio de parcerias internacionais. Colaborações com países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha e França, têm o objetivo de financiar programas de preservação, apoiar comunidades indígenas e reduzir o desmatamento ilegal. Além disso, participa de blocos econômicos e iniciativas multilaterais que incentivam práticas sustentáveis, como o Fundo Amazônia, que financia projetos de conservação e desenvolvimento sustentável.



No entanto, a imagem internacional do Brasil oscila conforme a política ambiental adotada. Períodos de maior desmatamento ou flexibilização de regras ambientais resultam em críticas de organismos internacionais e podem impactar negociações comerciais e ambientais. Por outro lado, ações positivas, como a adoção de sistemas de monitoramento por satélite e políticas de incentivo a energias renováveis, reforçam sua reputação e aumentam a confiança de investidores internacionais.


Perspectivas e desafios futuros

O futuro da agenda climática brasileira depende de estratégias que conciliam desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental. Metas ambiciosas incluem a redução do desmatamento para níveis próximos de zero e a neutralidade de carbono até 2050. Para isso, é necessário investimento contínuo em fiscalização, educação ambiental, energias renováveis e projetos de recuperação de áreas degradadas.


O engajamento da sociedade civil e do setor privado é essencial. Empresas podem adotar práticas sustentáveis e incentivar cadeias produtivas responsáveis, enquanto cidadãos podem pressionar por políticas públicas eficazes. Além disso, a preservação de ecossistemas como a Amazônia traz benefícios diretos à população local, garantindo recursos naturais, estabilidade climática e oportunidades econômicas de longo prazo.


Especialistas apontam que, sem ações coordenadas e investimentos consistentes, o Brasil corre o risco de perder parte de sua biodiversidade e de comprometer sua relevância internacional no combate às mudanças climáticas. Portanto, o planejamento estratégico e o compromisso com políticas ambientais transparentes são fundamentais para assegurar um futuro sustentável.


Brasil e o futuro do planeta: decisões que impactam o clima

O papel do Brasil na agenda climática internacional é estratégico e impacta diretamente o equilíbrio ambiental global. A conservação da Amazônia, o cumprimento de compromissos internacionais e o desenvolvimento de políticas internas eficazes são fundamentais para enfrentar os desafios do século XXI.



O país possui a oportunidade de liderar pelo exemplo, promovendo ações concretas de preservação e consolidando parcerias internacionais que fortaleçam sua imagem e resultados. A responsabilidade é coletiva, envolvendo governo, setor privado e sociedade civil, e suas decisões determinarão o futuro ambiental não apenas do Brasil, mas de todo o planeta. É imprescindível que o Brasil continue comprometido com políticas de sustentabilidade, equilíbrio econômico e justiça ambiental, garantindo que seu papel internacional seja reconhecido e eficaz.




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