Poder corporativo e governança global: os mecanismos de influência de empresas no sistema das Nações Unidas
- Geo Expand

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Como empresas transnacionais ampliam sua influência nas estruturas multilaterais da ONU e os desafios de transparência, lobby e accountability na governança global
Com a globalização, há a ascensão de atividades multissetoriais e interdependências são estabelecidas em diversas áreas diferentes, visto que urge coalizões no cenário global, ou seja, ações de governança global para a resolução de problemáticas transnacionais, facilitadas por tecnologias de comunicação e transporte.
Nesse sentido, as empresas exercem grande influência, participando ativamente dentre os setores existentes em tais atividades e nas relações de interdependência. Além disso, também participa no Poder Público, como a prática de lobby, na ONU e em parcerias, o que pode representar ou uma possibilidade de cooperação e solucionamento de problemas globais ou um imanente fator de corrupção, desigualdade e falta da prática de accountability, em outras palavras, falta da prática de transparência e responsabilização por parte das empresas.

Pacto Global: ONU e governança global
Um exemplo da atuação de empresas em contexto de governança global, é a parceria lançado pela ONU em 2000 pelo ex-secretário geral, Kofi Annan, com fim de contribuir para os Dez Princípios universais das áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção, contribuindo para o alcance também dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, conforme mostram os critérios da imagem a seguir:

Outrossim, a participação do Pacto Global implica na assinatura de uma carta de compromisso e pagamento de uma anuidade proporcional ao faturamento da empresa e escrita anual dos avanços através da Comunicação de Progresso (CoP), que também garante benefícios à empresa, como visibilidade em fóruns internacionais, plataformas, mentorias e oportunidades de negócio.
Ademais, o pagamento da anuidade varia, porque é proporcional à realidade da empresa, em organizações sem atividades comerciais, por exemplo, elas não necessitam pagar (como instituições acadêmicas, por exemplo). Analogamente, na realidade empresarial brasileira, a iniciativa é coordenada pela Rede Brasil do Pacto Global e conta com aproximadamente 9,5% dos assinantes globais.
Lobby e accountability
Embora as empresas possam compor atividades multissetoriais positivas, que visam objetivos benéficos para a sociedade, elas também compõem aspectos negativos, como a prática ilegal de lobby, quando se trata do suborno e tráfico de influência, que advêm da falta de accountability, ou seja, falta de prestação de contas, transparência e responsabilização.
Consequentemente, esse abuso de poder pode resultar em representatividade apenas elitista no Poder Público, pois as decisões baseiam-se apenas em empresas com grande capital e ajustes benéficos apenas para a classe mais alta, o que propicia a desigualdade social.
Porém, a influência em decisões do Poder Público é legalizado, portanto, tais consequências permaneceram presentes no cenário brasileiro, visto que esse âmbito carece de regulamentações. Entretanto, legislar a prática de lobby é dificultada, já que um ciclo e conflito de interesses é criado, em que há a necessidade de leis, mas quem influência essas leis são as empresas que são beneficiadas pela falta dessa legislação, o resultado disso é uma demanda que não consegue ser atendida e a voz do povo silenciada, com mais casos de corrupção por suborno e falta de representatividade do povo brasileiro no Poder Público e suas legislações.
Conclusão
Em suma, a atuação de empresas em cenário global pode ser benéfica, em vista da cooperatividade para solução de problemas transnacionais, mas em contrapartida pode ser negativa devido à prática inadequada do lobby.
Em síntese, essa prática deve ser regulamentada e meios para intervir esse ciclo de falta de legislação devem ser tomados para uma cooperatividade não apenas de grandes organizações e empresas, mas também para a importante participatividade de ideias que visam o bem da maior camada da população brasileira: a classe baixa, não a minoria: a classe alta, composta por empresários.
Sobre o artigo
O artigo analisa a crescente influência de empresas no sistema das Nações Unidas e nos mecanismos contemporâneos de governança global. A partir da discussão sobre o Pacto Global da ONU, lobby empresarial e accountability, o texto investiga como corporações transnacionais passaram a ocupar papel estratégico em processos multilaterais, tanto na promoção de iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável quanto na influência sobre decisões políticas e econômicas. Além disso, o trabalho debate os limites éticos da atuação empresarial e os impactos da falta de regulamentação e transparência nas democracias contemporâneas.
Autoria
Laura Castro
Referências bibliográficas
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Nota editorial
A intensificação da globalização e das relações de interdependência transformou empresas transnacionais em atores centrais da governança global contemporânea. Em um cenário marcado por desafios ambientais, econômicos e sociais cada vez mais complexos, corporações passaram a participar ativamente de fóruns multilaterais e iniciativas internacionais ligadas ao desenvolvimento sustentável. Contudo, essa crescente influência também levanta questionamentos sobre transparência, accountability e concentração de poder econômico nas decisões globais. Este artigo propõe uma reflexão sobre os mecanismos de influência empresarial no sistema das Nações Unidas e os desafios políticos e éticos decorrentes dessa nova dinâmica internacional.




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