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A polarização da política brasileira: quais fenômenos explicam a radicalização do senso político no Brasil?

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    Geo Expand
  • 10 de set. de 2025
  • 12 min de leitura

Quando foi a última vez que um almoço de família terminou em paz depois que alguém falou de política? Por que parece que qualquer assunto como vacina, futebol, preço do arroz, vira teste de fidelidade a um lado político? A polarização brasileira não nasceu ontem, nem é culpa de um único governo. Ela é filha de uma história longa de oligarquias, rupturas e pouca participação real: o brasileiro trocou de regime, de líder, de slogan, mas raramente aprendeu a participar.

A radicalização do senso político no Brasil é explicável. Ela tem história, incentivos e mecanismos. Entendê-los é o primeiro passo para desarmar o “nós contra eles” e recuperar o básico: discutir ideias sem transformar o outro em inimigo.


Entre a esquerda e a direita, o Brasil parece esquecer que o verdadeiro caminho deveria ser o avanço coletivo.
Entre a esquerda e a direita, o Brasil parece esquecer que o verdadeiro caminho deveria ser o avanço coletivo.

  1.  Contexto Histórico 

A polarização política no Brasil não é um fenômeno recente. Desde os primeiros anos da República, a vida política do país foi marcada por disputas entre grupos de poder, exclusão de grande parte da população e uma democracia frágil, que frequentemente se via interrompida por rupturas autoritárias.


1.1 República da Espada e a Política do Café com Leite 

Quando o Brasil se tornou uma República em 1889, após a queda da monarquia, a expectativa era de uma vida política mais aberta. No entanto, o que se viu foi uma transição controlada pelos militares. Esse período, conhecido como República da Espada, teve eleições restritas e pouca participação popular. A política se dividia basicamente entre dois grandes grupos: os antigos conservadores e os liberais da época, que representavam interesses regionais e econômicos distintos. Ainda assim, ambos estavam distantes das demandas da população em geral, o que já mostrava uma democracia limitada desde o início.


Com a saída dos militares do poder, consolidou-se o modelo da chamada República Oligárquica, marcada pelo predomínio das elites agrárias de São Paulo e Minas Gerais, na famosa política do “café com leite”. O sistema eleitoral, baseado no voto aberto e restrito apenas a homens alfabetizados, excluía a maior parte da população brasileira. Além disso, práticas como o “voto de cabresto”, em que coronéis locais controlavam o eleitorado por meio de coerção ou favores, reforçavam o caráter antidemocrático do período.


O termo “Voto de Cabresto” vem de uma metáfora ligada ao mundo rural. O “cabresto” é a correia ou peça usada para controlar a cabeça de animais, especialmente cavalos e jumentos, guiando-os na direção desejada pelo dono.
O termo “Voto de Cabresto” vem de uma metáfora ligada ao mundo rural. O “cabresto” é a correia ou peça usada para controlar a cabeça de animais, especialmente cavalos e jumentos, guiando-os na direção desejada pelo dono.

1.2 Era Vargas 

A Revolução de 1930 rompeu o domínio oligárquico e levou Getúlio Vargas ao poder. Vargas aproximou o Estado das massas urbanas por meio de políticas trabalhistas, criação de sindicatos controlados pelo governo e presença direta do Estado na economia. Apesar dessas medidas sociais, a democracia seguia limitada. Com a ditadura da Era Vargas implementada e o chamado Estado Novo (1937-1945), eleições foram suspensas e o poder centralizado. O governo autoritário de Getúlio perseguiu opositores e controlou a imprensa, restringindo a participação política e o debate público.


1.3 Ditadura Militar 

O golpe militar de 1964 representou mais um retrocesso democrático no mesmo século. Os 21 anos de regime impuseram censura, perseguição política e limitaram severamente as eleições, mantendo o Congresso sob forte controle. A participação popular foi reduzida ao mínimo, e a oposição era, na prática, controlada pelo próprio sistema. Esse foi mais um exemplo de como a democracia brasileira foi fragilizada, mantendo os cidadãos distantes do processo decisório.


1.4 Redemocratização e Nova República 

Com o fim da ditadura, a Constituição de 1988 marcou a retomada da democracia plena no Brasil, garantindo direitos e ampliando a participação popular. Contudo, a herança de décadas de restrição política deixou marcas: uma sociedade pouco acostumada ao debate democrático, o conhecimento limitado sobre processos decisórios e uma elite política frequentemente desconectada das necessidades da população. Nesse cenário, as instituições democráticas ganharam espaço, mas a confiança nelas nunca foi sólida.


Ulysses Guimarães, presidente da Câmara dos Deputados na época, erguendo a Constituição Federal de 1988, a chamada 'Constituição Cidadã', símbolo da redemocratização do Brasil.
Ulysses Guimarães, presidente da Câmara dos Deputados na época, erguendo a Constituição Federal de 1988, a chamada 'Constituição Cidadã', símbolo da redemocratização do Brasil.

1.5 A ascensão da polarização

A combinação de uma democracia historicamente fragilizada e de uma participação popular sempre limitada criou terreno fértil para a polarização política. O brasileiro, por não ter sido plenamente integrado à vida democrática, tende a enxergar a política em termos simplificados, de confronto entre lados opostos, em vez de como um espaço de diálogo e construção coletiva. Esse processo, iniciado desde a Primeira República e reforçado em momentos autoritários, ajuda a entender por que o cenário atual é marcado por divisões tão intensas.


  1.  Educação Brasileira

 Se a nossa democracia sempre foi de poucos, não surpreende que a escola tenha ficado em segundo plano, e com ela, a nossa formação como cidadão. Portanto é nesse ponto que a história encontra a sala de aula. 

A educação brasileira, historicamente precária, apresenta falhas profundas que explicam a fragilidade de nossa democracia e o baixo nível de participação política da população. 

Um dos problemas centrais é o acesso desigual. Diferenças extremas entre escolas públicas e privadas, somadas à disparidade regional, fazem com que grandes parcelas da população nunca desenvolvam repertórios básicos para compreender a política, a economia ou o próprio funcionamento do Estado. Essa desigualdade não apenas exclui parte da população do aprendizado formal, mas transforma o cidadão em alguém que raramente questiona o poder ou participa de forma crítica à discussão de políticas públicas, deixando o caminho aberto para polarizações artificiais e discursos populistas.

Outro ponto crítico é a qualidade do ensino que reforça esse cenário. Altas taxas de evasão escolar, combinadas com uma formação fraca em disciplinas básicas, impedem que o jovem compreenda conceitos essenciais de cidadania e política. Ao chegar à vida adulta, o cidadão pouco preparado em seu pensamento crítico tende a tomar decisões eleitorais mais emocionais do que racionais, guiadas por representatividade imediata ou identitarismo, em vez de avaliação de projetos e propostas. 


A frase de Paulo Freire denuncia a estrutura educacional brasileira, historicamente moldada para manter privilégios e conter as massas. Ela nos lembra que só uma pedagogia crítica pode revelar as injustiças e transformar consciências.
A frase de Paulo Freire denuncia a estrutura educacional brasileira, historicamente moldada para manter privilégios e conter as massas. Ela nos lembra que só uma pedagogia crítica pode revelar as injustiças e transformar consciências.

A formação cívica e crítica também é precária. Conteúdos de cidadania, história e política são tratados de forma superficial ou ideológica, sem preparar o aluno para deliberar, questionar ou participar ativamente da democracia. Sem esse preparo, o jovem chega à vida adulta sem compreensão das instituições políticas, do valor do voto e da responsabilidade do cidadão na manutenção da democracia, gerando um indivíduo que reproduz preconceitos, rótulos e ideais sem reflexão.


  1.  Identificação e Populismo

Quando falta repertório para comparar políticas, sobra busca por alguém que “fale por mim”. É aqui que a representatividade vira atalho, e o populismo, método.


3.1 Representatividade acima de capacidade

A fragilidade da educação brasileira se reflete diretamente na forma como o cidadão se posiciona politicamente hoje. Um dos principais efeitos é a busca por representatividade imediata: muitos eleitores não avaliam propostas ou projetos; em vez disso, procuram líderes que sintam que os representam pessoalmente. Essa identificação rápida e superficial cria terreno fértil para populistas que oferecem respostas simples e diretas, mesmo sem apresentar soluções estruturais.


Você sabia que o ex-jogador de futebol, Romário, já foi Deputado Federal e atualmente é Senador da República pelo Rio de Janeiro?
Você sabia que o ex-jogador de futebol, Romário, já foi Deputado Federal e atualmente é Senador da República pelo Rio de Janeiro?

Dentre os pontos de compreensão deste tema, um dos mais interessante, é analisar o quão baixo é o nível de exigência para ingressar na política brasileira. Diferentemente de carreiras que demandam alto preparo técnico, como a diplomacia ou o direito, em que é preciso comprovar habilidades específicas, formação acadêmica sólida e aprovação em concursos rigorosos, para se tornar deputado, senador ou até presidente da República não há qualquer exigência formal. Um diplomata, por exemplo, precisa dominar idiomas, compreender relações internacionais e enfrentar um dos concursos mais disputados do país; um advogado, por sua vez, só pode exercer sua profissão após obter diploma e ser aprovado no exame da OAB. Já um político brasileiro, por mais alto que seja o cargo almejado, pode assumir responsabilidades imensas sem nunca ter comprovado preparo técnico, formação adequada ou competência explícita para a função.


Esse cenário abre espaço para figuras que chegam ao poder apenas pela imagem, pelo carisma ou pela popularidade. Exemplos históricos evidenciam esse fenômeno: o caso do comediante Tiririca, eleito deputado federal, ou a quase concretizada candidatura à presidência do apresentador Silvio Santos, que chegou a liderar pesquisas de intenção de voto. Ambos ilustram como a lógica eleitoral privilegia a projeção midiática em detrimento da capacidade de governar. Assim, enquanto diplomatas são escolhidos sob critérios rígidos para representar o Brasil no exterior, o chefe do Executivo, mesmo que também represente o país em seu mais alto cargo, pode ser eleito sem qualquer critério mínimo de formação ou experiência, apenas pelo apelo popular.


Utilizando bordões como "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto", e "Pior do que tá não fica, vote Tiririca" O humorista não só foi eleito deputado federal (PR-SP) em 2010 com a maior votação do país (1.353.820 votos, para ser mais exato), como se reelegeu em 2014, com 1.016.796 votos.
Utilizando bordões como "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto", e "Pior do que tá não fica, vote Tiririca" O humorista não só foi eleito deputado federal (PR-SP) em 2010 com a maior votação do país (1.353.820 votos, para ser mais exato), como se reelegeu em 2014, com 1.016.796 votos.

Portanto, a baixa exigência para ocupar cargos políticos, somada à fragilidade da educação política do eleitorado, cria um ciclo perigoso: a população, que deveria avaliar projetos, competências e histórico, muitas vezes se limita a enxergar a imagem ou a identificação pessoal. O resultado é uma política vulnerável ao populismo e distante de soluções estruturais para o país.



3.2  Admiração subvertida

O que também se destaca nesse estágio do debate é a admiração dos brasileiro por certas referências que são, de certa forma, equivocadas quando se pensa em uma sociedade ideal. Esse fenômeno se intensifica especialmente hoje entre os jovens, que passam a enxergar cantores, influenciadores e artistas que promovem comportamentos problemáticos, como apologia ao crime, à ostentação, e divulgação de casas de apostas, como modelos ou líderes de opinião. Enquanto isso, professores, cientistas e políticos capacitados são subestimados e desvalorizados, embora sejam os verdadeiros formadores de opinião e líderes para a sociedade. Esse cenário gera uma admiração invertida, onde quem entretém ou simboliza valores superficiais acaba recebendo mais atenção e autoridade do que aqueles que realmente contribuem para a formação do cidadão.


Em um país onde um influencer digital tem mais influência e é mais credibilizado do que quem nasceu pra educar, não há futuro que floresça.
Em um país onde um influencer digital tem mais influência e é mais credibilizado do que quem nasceu pra educar, não há futuro que floresça.

3.3 “Inimização” do adversário

Além disso, educação deficiente também contribui para que o brasileiro enxergue o outro como inimigo. Desde cedo, a formação limitada ensina a dividir o mundo em nós e eles: jovens de comunidades periféricas podem perceber autoridades e instituições como opressoras, enquanto filhos de classes mais altas frequentemente rejeitam políticas sociais que desafiem seus privilégios. Essa lógica de antagonismo se perpetua na vida adulta, alimentando polarização e dificultando a construção de consensos ou debates saudáveis. O resultado é uma sociedade em que opiniões contrárias não são debatidas, mas deslegitimadas, reforçando ciclos de ódio e polarização.


3.4 Lula, Bolsonaro e o cenário político atual

No cotidiano político brasileiro, esse caos se reflete na polarização intensa em torno de líderes como Lula e Bolsonaro. Cada um encarna valores, símbolos e identidades de um segmento da população, garantindo votos não necessariamente pelas propostas que apresentam, mas pelo fato de representarem um grupo ou ideia. O eleitor prioriza o “quem” vai fazer em vez do “como” ou do “o quê” será feito, escolhendo candidatos mais pela identificação emocional do que pela análise das políticas ou resultados esperados. Essa alternância de apoio cria um ciclo vicioso: metade da população apoia, metade rejeita, e as discussões públicas frequentemente reproduzem ódio e antagonismo. Sem cidadãos com formação crítica, a democracia permanece frágil, e o debate político se limita à defesa de identidades, não à avaliação de propostas..


Duas nações em uma só bandeira: o retrato da polarização brasileira
Duas nações em uma só bandeira: o retrato da polarização brasileira

3.5 Redes sociais e bolhas de polarização

As redes sociais intensificam ainda mais esse ciclo de populismo e polarização. Algoritmos priorizam conteúdos que geram engajamento, frequentemente promovendo postagens sensacionalistas, discursos de ódio e reforçando bolhas de opinião. Como consequência, o cidadão fica exposto principalmente a informações que confirmam suas crenças, isolando-o de perspectivas divergentes e aumentando a hostilidade em relação ao adversário político. Essa propagação acelerada de narrativas polarizadoras não apenas amplia a divisão social, mas também fortalece líderes populistas, que encontram nas redes um veículo poderoso para conquistar apoio imediato e emocional, sem necessidade de apresentar resultados ou propostas concretas.


  1.   As Consequências do Populismo 

O populismo contemporâneo no Brasil não surge de maneira isolada, ele é fruto de uma combinação de fragilidades históricas, educacionais e institucionais que pavimentam o caminho para líderes carismáticos se tornarem a voz de multidões. Em vez de avaliar programas de governo ou compromissos institucionais, grande parte do eleitorado é conduzida por discursos emocionais, por apelos à identidade coletiva e pela figura carismática do líder. O voto, nesse contexto, se torna menos uma escolha racional e mais um ato de identificação simbólica: o eleitor se vê representado em quem melhor expressa suas dores, valores ou ressentimentos, mesmo que isso signifique ignorar a coerência histórica ou a viabilidade de projetos apresentados. As consequências, porém, também ultrapassam a esfera eleitoral: impactam diretamente a qualidade da democracia, a racionalidade do voto e a própria estabilidade republicana.


4.1 A redenção do líder 

Dentro da lógica populista existe a capacidade de um líder se reinventar e, sobretudo, de conquistar a “redenção” perante o povo. Um dos casos mais emblemáticos é o de Getúlio Vargas que mesmo após instaurar uma ditadura, ser destituído, voltou ao poder democraticamente eleito, sustentado pela memória afetiva de suas políticas sociais e pelo apelo direto às massas. Esse mesmo mecanismo se repetiu no século XXI com Lula, que, mesmo após prisão e condenação, foi reeleito presidente. Em ambos os casos, mais do que um julgamento racional sobre seus legados, o que prevaleceu foi a identificação simbólica de líderes transformados em mitos, alçados novamente ao poder pelo desejo coletivo de reparação ou continuidade.


4.2 Quando a política vira guerra de inimigos

Contudo, o populismo não se limita a transformar líderes em símbolos; ele também distorce a lógica democrática ao reduzir a política a uma disputa de inimigos. O episódio das eleições de 2022 mostrou com clareza esse fenômeno: diante da derrota de Jair Bolsonaro, parte de seus apoiadores rejeitou o resultado das urnas e passou a pedir intervenção militar, alegando que seria “melhor para o país” do que aceitar a vitória do adversário. A alienação chegou ao ponto de preferirem ver a democracia em colapso a permitir que o “inimigo político” governasse, movimento que desembocaria nos atos de 8 de janeiro. 


Ademais, essa postura não é exclusividade de um campo: o lulismo também se alimenta dessa cegueira, ao colocar de forma fanática a figura de Lula como símbolo de resistência, ignorando seu histórico de condenações e enxergando nele uma redenção quase mítica. Em piores casos, considerando-o inquestionável até mesmo quando ele não atende os interesses de seu próprio espectro político. 


Na cegueira do fanatismo, a política vira ringue: barulho sem diálogo, inimigos em vez de cidadãos.
Na cegueira do fanatismo, a política vira ringue: barulho sem diálogo, inimigos em vez de cidadãos.

Em ambos os casos, o que se revela é a erosão do senso democrático: em vez de aceitar a alternância de poder e funcionamento da democracia que deveria ser pautado em debate e questionamento irrestrito a todos os políticos, a população prefere colocar seus valores e interesses políticos individuais acima da estabilidade do país. Esse comportamento, fruto de alienação e polarização, aprofunda a instabilidade e fragiliza as bases da república.


4.3 Os controladores das marionetes

As consequências desse fenômeno não recaem apenas sobre a população; elas também fortalecem uma elite política que se beneficia diretamente do caos. Mas afinal, quem realmente ganha quando a sociedade permanece dividida, incapaz de exercer plenamente sua capacidade crítica? Quanto mais o eleitor é reduzido a um torcedor apaixonado incapaz de questionar, mais simples se torna manipulá-lo com slogans vazios, inimigos fabricados e promessas que nunca se cumprem. O populismo, nesse jogo, cumpre um papel central: alimenta-se da rivalidade e da polarização para garantir às elites a perpetuação no poder. Nesse cenário, governar deixa de significar planejar o futuro da nação; significa, sobretudo, organizar o presente em função da próxima eleição. Cada mandato é pensado como um ciclo curto, em que o primeiro ano serve para desfazer medidas do governo anterior, o período intermediário se dilui em disputas políticas, e apenas no último ano surgem ações pontuais que visam conquistar a simpatia do eleitorado. Não há visão de país, apenas cálculo eleitoral.


E aqui se revela uma contradição gritante, enquanto a população briga por seus “políticos de estimação”, acreditando defender projetos irreconciliáveis, nos bastidores, acordos são firmados, alianças são costuradas e interesses são preservados. Há, de fato, uma luta ideológica real? Ou o que assistimos é uma encenação cuidadosamente construída, em que “oposições” se atacam em público, mas se conciliam em privado para manter privilégios intocados? O preço desse teatro político é altíssimo: a democracia se fragiliza, a política se transforma em espetáculo de idolatria e antagonismos, e o país permanece preso a um ciclo perverso em que emoção e representatividade simbólica se sobrepõem a qualquer projeto concreto de desenvolvimento nacional.


Enquanto o povo se divide em torcidas, o jogo real acontece nos bastidores, onde o teatro político segue despido de ideologia, costurando acordos longe dos holofotes. Isso porque a cadeira presidencial pode até mudar, mas quem escreve o roteiro continuam os mesmos.
Enquanto o povo se divide em torcidas, o jogo real acontece nos bastidores, onde o teatro político segue despido de ideologia, costurando acordos longe dos holofotes. Isso porque a cadeira presidencial pode até mudar, mas quem escreve o roteiro continuam os mesmos.

  1.   Conclusão


Diante de tudo isso, percebe-se que a polarização política no Brasil não surgiu de forma espontânea, mas é fruto de um longo processo histórico alimentado pela fragilidade da educação e pela instrumentalização da política como espaço de disputa emocional. A radicalização do senso político brasileiro se tornou um projeto conveniente para aqueles que lucram com o caos: líderes populistas que transformam sua imagem em mito, partidos que se retroalimentam da inimizade e elites que se perpetuam no poder em meio à instabilidade. Nesse cenário, valores democráticos são frequentemente sacrificados em nome de lealdades pessoais e da cegueira ideológica, onde o fanatismo se sobrepõe a qualquer escrúpulo republicano.


Superar esse ciclo exige mais do que rejeitar líderes específicos: exige cultivar um senso crítico permanente. É preciso compreender que política não é devoção, mas questionamento; não é idolatria, mas discernimento. O eleitor brasileiro precisa abandonar a lógica do “político de estimação” e aprender a avaliar decisões e projetos a partir de sua contribuição real para o bem coletivo, e não pela defesa cega de um lado. Apenas por meio da educação crítica e do fortalecimento da cidadania ativa será possível construir uma democracia madura, onde o debate público se faça sobre ideias e propostas, e não sobre o “nós contra eles”.


Autor: Matheus Gonçalves Pinheiro


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