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Greenwashing: quando o discurso ambiental não vira prática

  • Foto do escritor: Geo Expand
    Geo Expand
  • há 27 minutos
  • 4 min de leitura

Introdução

A crise global causada pelas mudanças climáticas tem atingido proporções alarmantes, afetando diretamente o equilíbrio ambiental e a vida humana. Nesse cenário, algumas empresas vêm trazendo novas reflexões sobre como se adequar e acompanhar esses eventos, de modo que seu discurso e sua imagem demonstram que estão antenadas a causa. 


É a partir daí que se originou o termo “greenwashing”, que significa “lavagem verde” ou até mesmo “maquiagem verde”. É uma prática utilizada por empresas, justamente para remeter a uma falsa aparência, de que elas têm um compromisso com a sustentabilidade e com propostas ecológicas, sem que de fato tenham. 


Diante disso, em meio a tantos sutis disfarces, é de extrema importância alertar e informar os consumidores, usuários e principalmente os internautas de que nem todos os símbolos, selos e certificados estão necessariamente cumprindo seu papel. 


As diversas manifestações do greenwashing 

As empresas ou indústrias públicas e privadas, geralmente atrelam termos vagos e sem embasamento à seus produtos e serviços, induzindo o consumidor ao engano. 


Um exemplo que se aplica diretamente no dia a dia das pessoas, são os termos: “100% reciclável”, “eco-friendly” ou “clean beauty”, presentes na maioria das vezes em cosméticos, produtos de limpeza, entre outros. São termos que indicam aos consumidores a responsabilidade daquele produto com o impacto dele na natureza.



Esses selos presentes em embalagens podem facilmente levar os consumidores a pensarem que estão investindo na natureza, adquirindo um produto verde, quando na verdade, caem numa manipulação e estratégia que visa somente o lucro. 


A falta de transparência presente nesses produtos também é prejudicial. Isto é, as empresas divulgam informações vagas sobre suas práticas ambientais, sobre a sua “mínima” interferência na emissão de carbono, reciclagem e combate ao desperdício em seu processo de fabricação, mas sem comprovação ou credibilidade dessas informações. 


Porém, não só nesses tipos de produtos, o greenwashing está presente em outros setores, como o setor de energia, na indústria alimentícia ou na indústria da moda (fast fashion). 


Segundo pesquisas da Climate Action Against Disinformation, empresas poluentes, vinculadas principalmente ao agronegócio, mineração e energia, por meio de sites, redes sociais e publicidades online, disseminam informações e discursos de sustentabilidade, com o objetivo de legitimar algo que nem sequer está vinculado a nenhum certificado. 



Sendo assim, o greenwashing abrange muito mais do que produtos nas prateleiras de farmácias ou supermercados. Essa narrativa vem acompanhando até mesmo as iniciativas de transições energéticas. 


De acordo com um relatório da Algorithmic Transparency Institute, dirigido pelo Dr. Supran, da Universidade de Miami, foi realizada uma pesquisa que analisou as publicações e posicionamentos nas redes sociais, feitos por empresas da União Europeia, em relação a seus serviços e sua relação com a sustentabilidade. Incluem empresas produtoras de combustíveis fósseis, fabricantes de automóveis e companhias aéreas.


Foi identificado o que chamaram de “silêncio climático” e “desvio de atenção”, além do greenwashing, claro. Essas instituições não faziam menções legítimas que explicavam a real preocupação delas relacionada à transição energética. 


O cenário se agrava ainda mais quando analisamos as provas concretas do crime que está sendo cometido. Segundo o art. 37 do Código de Defesa do Consumidor (CDC): “É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade [...]. 


Portanto, essas práticas acabam por afrontar diretamente uma lei, levando os consumidores a uma alienação do real impacto daquilo que utilizam no seu dia a dia. Não só isso, mas leva a uma manipulação que influencia diretamente no comportamento das pessoas. Elas não entendem de fato a importância de suas práticas sustentáveis, já que até mesmo grandes empresas que se dizem sérias e comprometidas não o fazem. 


Hábitos para fugir da desinformação

O greenwashing denuncia a estratégia mais suja e injusta que se pode utilizar para, sutilmente, influenciar e moldar o pensamento das pessoas, enganando os consumidores, usuários e cidadãos que realmente se empenham e buscam adquirir produtos que são comprometidos com a causa climática. 


Entretanto, mesmo em meio a tantas induções a desinformação, existem hábitos e questionamentos que podem levar a informação verídica. Por exemplo: 


  • Sempre verifique a origem do “selo”: Os selos ambientais ajudam a identificar os produtos que são ecologicamente corretos (de verdade). Empresas como EuReciclo, Instituto Lixo Zero, PETA e Eco Sun Pass, são alguns exemplos de certificações oficiais (segundo pesquisas da Simple Organic) 


  • Pesquise e confira os dados concretos: se na embalagem, sites e redes sociais daquela empresa apresentam dados rasos e sem transparência sobre informações como por exemplo, a pegada de carbono, práticas de energia renovável ou implementação de sistemas de gestão ambiental, não é um bom indicativo. 

O ideal é sempre pesquisar sobre a empresa e suas práticas relacionadas ao meio ambiente. 


Até onde as corporações estão dispostas a ir em prol da obtenção de lucro? 

Quando se analisa o cenário atual, em meio a constantes mudanças climáticas, ou o que podemos chamar hoje de ebulição global, diversos setores foram afetados, sejam políticos, sociais, econômicos, culturais, energéticos, etc. Com isso, tornou-se vital que esses setores acompanhassem essas transformações. 


Porém, assim como existem iniciativas que inspiram e realmente se comprometem com o meio ambiente, também podem existir práticas que infelizmente tiram proveito de uma situação vulnerável, esta que estamos vivendo. 


Tal atitude funciona como um “pós-negacionismo climático”, uma vez que não negam a existência da ebulição global, mas esvaziam sua gravidade e urgência.

Também, culmina no que pode se chamar de desinformação socioambiental, isto é, a produção de informações falsas, distorcidas e enganosas com a intenção de manipular a opinião pública. 


Desde já, é imprescindível que haja fiscalização, regulamentação em cima de empresas, sejam elas grandes, pequenas, privadas ou públicas. 


 
 
 

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