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Nazifascismo: fenômeno histórico datado ou risco sempre presente?

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    Geo Expand
  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

O nazifascismo se refere a uma combinação entre duas das mais totalitárias e autoritárias ideologias da história da humanidade. Ele junta elementos do nazismo e do fascismo e traz consigo extremos ideais de ultranacionalismo, antiliberalismo, culto ao líder e supressão da oposição, formando uma das piores e mais perigosas formas que um governo pode vir a tomar.


O que foi fascismo?

Originalmente criado por Benito Mussolini, o fascismo é uma ideologia política que surgiu na Itália em um contexto de ruínas e cicatrizes da Primeira Guerra Mundial, como desemprego, inflação, frustração com os acordos internacionais e um sistema político incapaz de responder às demandas populares. Além disso, ressaltava-se, principalmente, um forte medo da população italiana de passar por uma revolução igual à da Rússia, país com ideais comunistas. A Revolução Russa resultou numa guerra civil e num cenário de fome generalizada e de colapso econômico.


Assim, aproveitando desse “medo do comunismo” dos italianos, surgiu Mussolini, que subiu ao poder por meio da "Marcha sobre Roma", que pressionou o rei italiano a nomeá-lo primeiro-ministro. Ele apareceu com uma ideia de salvar a Itália com a construção de um movimento que prometia trazer a ordem, fortalecer o Estado e devolver à nação um sentimento de grandeza. Desse modo, posteriormente, Mussolini teve êxito em facilitar a adesão da população à extrema-direita e apoiar suas propostas.


O fascismo italiano pregava extremas ideias de trazer o total controle do Estado, rejeitando qualquer forma de democracia liberal. Além disso, forçavam o fim do pluripartidarismo, o que impedia escolha de um lado, e o fim dos direitos individuais. Mussolini promovia sua figura de líder como o centro de tudo, ficando acima de qualquer instituição e dizendo-se representar a vontade nacional.



No fim da Primeira Guerra, a Alemanha se encontrava sendo o país mais afetado pelos conflitos. O país teve um drástico colapso econômico, quase dois milhões de soldados mortos e, principalmente, um cenário de humilhação intensa, com severas punições determinadas no Tratado de Versalhes, o qual impôs múltiplas sanções econômicas e territoriais e a responsabilização do país pela guerra.


Durante esses momentos, surgiu o sentimento de ressentimento coletivo, ao mesmo tempo em que o hipnótico Adolf Hitler fazia sua ascensão ao poder alemão. Figura central do culto nazista, Hitler canalizou esse sentimento ao prometer a reconstrução da Alemanha e a restauração de sua força internacional.


Porém, de uma pessoa que parecia inofensiva e com inteligentes propostas de melhora e avanço para seu país, Hitler se mostrou cada vez mais autoritário e instaurou uma indiscutível diferença entre outras ideologias totalitárias: o racismo biológico como fundamento do Estado.


A ideologia nazista, juntamente com Adolf Hitler, promoveu a criação de uma nova raça, que, supostamente, seria superior. Essa se denominava “raça ariana” e esse pensamento de superioridade levou à desumanização sistemática de judeus, ciganos, pessoas com deficiência, homossexuais e opositores políticos, os ditos “não arianos”. O Estado nazista organizou a perseguição, a segregação e, por fim, o genocídio em escala surreal, culminando no Holocausto, período no qual milhões dos denominados “não arianos” foram brutalmente assassinados por simplesmente serem quem eram, amar quem amavam ou seguir a ideologia e religião que queriam. A violência não era um efeito colateral, mas um objetivo do regime nazista.



O Nazifacismo

Quando a ideologia nazista e fascista e suas principais características são combinadas, o resultado se consolida como o termo nazifascismo. Embora não se trate de uma ideologia formal única, o conceito é utilizado para descrever o conjunto de práticas e valores comuns aos regimes, como o autoritarismo extremo, o culto ao líder, a repressão à oposição, a manipulação da informação e a criação de inimigos a serem eliminados. O nazifascismo se caracteriza menos por símbolos visuais e mais por uma visão de mundo que legitima a exclusão e a violência em nome da nação.


Além disso, é muito importante ressaltar um dos maiores motivos que contribuíam para essas duas ideologias se sustentarem: a propaganda.


Como maior exemplo se destaca a estratégica propaganda nazista. O partido controlava 100% da mídia; eles acabaram com jornais independentes e sucederam em tomar completa autoridade sobre rádio, cinema, teatro, música e qualquer outra forma de mídia.


Hitler usava todo tipo de propaganda para influenciar a população alemã, promovendo uma visão de líder da raça ariana. Além disso, usaram da mídia para excluir e endemonizar as figuras dos judeus. Qualquer pessoa que mostrasse alguma forma de dissenso era tratada como traidora da pátria. Tudo isso mostra o quanto a propaganda pode ser perigosa quando controlada.



Os dias atuais

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, acreditou-se que o nazifascismo havia sido definitivamente derrotado. A revelação dos campos de concentração e a criação de organismos internacionais de defesa dos direitos humanos pareciam estabelecer um consenso global contra esse tipo de regime. Durante décadas, especialmente na Europa Ocidental, o nazismo e o fascismo foram tratados como um desvio histórico irrepetível, fruto de circunstâncias extremas.


Entretanto, a história do pós-guerra demonstrou que as ideias autoritárias não desapareceram, apenas se transformaram. Grupos neonazistas e movimentos ultranacionalistas continuaram existindo, muitas vezes à margem da política institucional. Em períodos de estabilidade, permaneceram relativamente isolados. Porém, em momentos de crise econômica, social ou identitária, voltaram a ganhar espaço. A crise financeira de 2008, por exemplo, intensificou o discurso de ódio contra imigrantes e minorias em vários países europeus, impulsionando partidos de extrema-direita. 


Atualmente, o nazifascismo raramente se apresenta de forma explícita. Ele não costuma surgir com partidos que defendem abertamente ditaduras ou genocídios, mas se infiltra em discursos que atacam a imprensa, relativizam crimes históricos, desacreditam a ciência e tratam adversários políticos como inimigos da nação.


A desinformação digital e as redes sociais ampliaram esse alcance, permitindo a circulação rápida de teorias conspiratórias e narrativas extremistas. Exemplos recentes reforçam esse alerta, como o crescimento de crimes de ódio, o aumento de ataques antissemitas e a presença de símbolos nazistas em manifestações políticas indicam que essas ideias continuam sendo perpetuadas.


Nos dias atuais, de acordo com o The New York Times Opinion, o governo regente dos Estados Unidos é constantemente acusado de ser um evidente exemplo de governo fascista. O presidente Donald Trump e suas políticas radicais de extremo ódio a todos os partidos e pessoas que se opunham a ele, denominados “inimigos da pátria”, somadas as suas políticas abolicionistas do ICE que discriminam, sequestram e, em alguns casos, chegam a assassinar imigrantes, que, comprovadamente, não possuem nenhum antecedente criminal, apresentam diversas características similares ao nazifacismo, como, principalmente, o ódio ao diferente e o autoritarismo.   



Conclusão

O risco do nazifascismo permanece, pois ele se alimenta do medo, insegurança, desigualdade e frustração coletiva, como evidenciado nos governos de Hitler e Mussolini. Sempre que setores da sociedade passam a enxergar a democracia como ineficaz e a diversidade como ameaça, surgem líderes dispostos a oferecer soluções simples para problemas complexos. A promessa de ordem e grandeza, nesse contexto, pode facilmente justificar a supressão de direitos.


Por isso, todos os eventos históricos desempenham papéis centrais no alerta e na resistência a essas ideologias. Evidências das consequências e dos terrores desses tipos de governo são destacadas em qualquer tipo de mídia e com a possibilidade de alcançar qualquer faixa etária, como Jogos Vorazes, por exemplo, saga que ressalta a importância da luta pelos direitos humanos num cenário em que liberdade, felicidade e amor parecem impossíveis.

Esquecer o passado, relativizar crimes ou tratar o autoritarismo como uma opção legítima abre espaço para sua repetição. Não por acaso, regimes com tendências fascistas costumam atacar professores, jornalistas e pesquisadores, pois são eles que preservam a capacidade crítica da sociedade. 


“Those who cannot remember the past are condemned to repeat it.”


Os valores que sustentaram o nazifascismo continuam presentes e podem ressurgir sob novas formas, por isso, encará-los como fenômenos encerrados é um erro perigoso. A história oferece sinais claros de quando algum terror pode vir a se repetir. 


Por Raul Holanda


 
 
 

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