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Semana de Arte Moderna: o que mudou?

  • Foto do escritor: Geo Expand
    Geo Expand
  • 3 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Introdução

Há mais de 100 anos, a semana de arte moderna ainda tem seus marcos na atualidade do Brasil, por ser um divisor de águas na cultura e na arte brasileira. Ocorreu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, o evento se inspirou nas vanguardas europeias, quebrando os padrões usados até então, trazendo um novo conceito artístico. 


Foi nessa época, que os intelectuais brasileiros passaram a se perguntar: “quem somos nós, como povo e como cultura?”. Eles queriam destrinchar a nossa própria forma de expressar arte, não apenas olhando para modelos de outras nações, mas reconhecendo a riqueza da cultura brasileira. 


Portanto, entender o que foi esse movimento no contexto histórico em que se passou permite valorizar a diversidade da arte nacional. 


Contexto Histórico

A Semana de Arte Moderna ocorreu na época do centenário da independência do Brasil (1922) num período de drásticas mudanças econômicas e sociais. A indústria e a economia estavam modernizando, os meios de comunicação se tornando cada vez mais presentes.


Mais especificamente, ocorreu na República Velha (ou Primeira República), onde as oligarquias de Minas Gerais e São Paulo cresciam e formavam o sistema político “café com leite”. No entanto, essa república estava em crise com crescentes insatisfações políticas e sociais, juntamente com a chegada de imigrantes estrangeiros em São Paulo. 


No meio dessa desordem, a oligarquia de São Paulo se tornava cada vez mais um centro econômico e urbano. Porém, o país era visto culturalmente como conservador e estagnado. Na época, muitos artistas brasileiros voltaram de suas viagens à Europa e trouxeram ideias e influências das chamadas Vanguardas Artísticas Europeias. 


Elas representavam um conjunto de movimentos artístico-culturais que procuravam novas formas de expressões artísticas, quebrando padrões impostos. As vanguardas que se destacaram foram: O Expressionismo, o Fauvismo e o Cubismo.

Algumas obras que representam cada um desses movimentos artísticos:


O grito (1893) de Edvard Munch
O grito (1893) de Edvard Munch
A dança (1910) de Matisse
A dança (1910) de Matisse
Auto Retrato (1907) de Pablo Picasso
Auto Retrato (1907) de Pablo Picasso

Cada uma dessas obras refletiu em outras obras brasileiras, trazendo a quebra de formas “perfeitas”, valorização da emoção e priorizando os sentimentos e as críticas sociais. 


Modernismo: a quebra de padrões

Nessa busca por uma arte “mais brasileira”, alguns intelectuais e um grupo de artistas de fato idealizaram e financiaram o evento. Foi com essas iniciativas que se originou um movimento chamado modernismo. 


O modernismo era justamente essa ideia de romper com o tradicionalismo europeu ao propor uma nova estética, transmissões novas de mensagens e críticas. Estavam realmente cansados de apenas copiar modelos europeus e estrangeiros, ainda mais depois da Primeira Guerra Mundial. A destruição da Europa depois da Primeira Guerra contrariou alguns olhares, de que apenas ela era “civilizada” ou “superior”. 


Até hoje, não se sabe quem realmente teve a ideia de reunir um grupo de intelectuais e artistas paulistas e organizar uma semana de exposições, pinturas, poesias e apresentações musicais no Theatro Municipal de São Paulo.


Mas foram atribuídas as iniciativas a alguns principais nomes, sendo eles: Emiliano Di Cavalcanti (carioca), Mário de Andrade, Oswaldo de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Menotti Del Picchia. 


Obras e Artistas 

Nessa busca por uma arte que fugisse das imposições, foi aí que o modernismo começou a se destrinchar na sociedade brasileira. Exemplos de obras que foram expostas na semana de arte moderna foram:


Abaporu (1928)- Tarsila do Amaral
Abaporu (1928)- Tarsila do Amaral
“O homem amarelo” (1915-1916)- Anita Malfatti
“O homem amarelo” (1915-1916)- Anita Malfatti
“Manifesto Pau-Brasil (1924)- Oswald de Andrade.
“Manifesto Pau-Brasil (1924)- Oswald de Andrade.

Cada uma dessas obras, composições e poemas entregam uma história por trás, que mostra o recado que esses artistas queriam escancarar ao mundo. Fugir das tradições europeias. Algumas foram duramente criticadas na época por isso, mas refletiu e reflete até hoje na formação autônoma da cultura brasileira. 


Pós-modernismo: herança cultural

Naquela época, o pós-modernismo veio acompanhado de mudanças industriais e tecnológicas, o que fez com que a sociedade evoluísse tanto em pontos positivos como negativos. A arte parou de ser extremamente individualista e utópica, o que foi bom, pois começaram a se destrinchar novos modelos de expressões artísticas que valorizassem a cultura brasileira. 


Por outro lado, algumas das novas artes contemporâneas acabam por valorizar o consumo, sendo alvo de mercado internacional. 


Mesmo assim, a Semana de Arte Moderna foi um marco na história do Brasil, ainda mais no período histórico em que ocorreu, pois revelou como pode haver beleza e se descobrirem outras formas de arte ao fazer apenas um desvio, um traço “diferente”. 


Portanto, até os dias de hoje pode-se observar as mudanças e heranças que o movimento herdou para o Brasil e para o povo brasileiro. No âmbito social, o país passou a se aceitar como um lugar de misturas, entre indígenas, africanos, europeus, etc. 


A música popular, o samba, o baião, a literatura regional ganharam espaços como cultura legítima. Não pertence mais a algo da elite, mas sim, criticando e evidenciando problemas sociais como a fome, a vida no sertão, as desigualdades sociais, violência. Isso alcança todas as classes. Artistas como Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e Lygia Fagundes Telles ganharam força. 


Por fim, no geral, a Semana de Arte Moderna transformou a visão que o povo brasileiro tem de si mesmo, refletindo até hoje, no orgulho da cultura nacional. 


 
 
 

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