A corrida espacial: Mais sobre propaganda do que sobre ciência?
- Geo Expand

- 19 de mai. de 2025
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A Corrida Espacial e Seus Primeiros Passos
A corrida espacial foi um conflito frio entre os Estados Unidos e a União Soviética que se iniciou em 1955, durante a Guerra Fria e que pode ser caracterizado como um conflito, pois apesar de não ser armamentismo, pode ser dito por conta da forte rivalidade ideológica entre esses dois países durante esse período de tempo.
Este conflito acabou sendo tornado em uma corrida por conquistas espaciais, onde cada avanço na tecnologia de cada um desses países representava uma vitória de um sistema político sobre o outro, como o capitalismo que era fortemente defendido pelos EUA, que é um sistema econômico que se baseia na propriedade privada, meios de produção e acúmulo de dinheiro. Já a União Soviética, conhecida como URSS adotava o sistema econômico nomeado de “socialismo” que pode ser dito como o oposto do capitalismo, defendendo a propriedade social dos meios de produção, como fábricas, terras e recursos naturais.
O primeiro marco veio da URSS, com o lançamento do satélite Sputnik em 1957, seguido pelo envio do primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika, e posteriormente pelo cosmonauta Yuri Gagarin, o primeiro humano a orbitar a Terra em 1961. Diante desses feitos, os Estados Unidos intensificaram seus investimentos na NASA, culminando com a chegada de Neil Armstrong à Lua em 1969. Esses feitos foram um grande marco não somente da Guerra Fria, mas podendo refletir nos dias de hoje, como os avanços da tecnologia e no ramo astronômico.
Guerra Fria e a Disputa por Supremacia Tecnológica
Durante a Guerra Fria, a corrida espacial tornou-se um dos principais argumentos simbólicos da rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética. Mais do que uma disputa tecnológica, ela novamente representava uma batalha ideológica entre o capitalismo e o socialismo. Cada conquista no espaço, cada descoberta era utilizada como prova da superioridade de um sistema político sobre o outro.
O principal modo de promover a corrida espacial entre ambos os países era o medo propagado deste conflito se escalar para uma guerra armamentista, cada avanço espacial feito por ambos os países era visto como uma ameaça direta a sua influência global, até que a criação de armas nucleares cada vez mais potentes e de longo alcance alimentava a desconfiança, levando à constante busca por superioridade militar. Ao mesmo tempo, a corrida espacial estava intimamente ligada a essa disputa: os foguetes capazes de lançar satélites ou levar homens ao espaço também poderiam ser adaptados para serem transformados em bombas ou armas nucleares. Assim, o espaço tornou-se uma extensão da corrida armamentista também, cada conquista despertando receios de que o adversário pudesse usá-la como vantagem estratégica em um eventual conflito direto.
Ciência a Serviço do Prestígio Nacional
É inegável em como a Corrida Espacial ajudou no avanço da astronomia e seus avanços científicos ao longo dos anos, porém, é necessário questionar se o verdadeiro objetivo dessas potências envolvidas eram realmente o progresso da ciência ou o prestígio político dos países ao redor.
As enormes quantidades de dinheiro investidas de cada nação, muitas vezes sem um retorno para a população, mostram que havia um enorme interesse em mostrar poder, dinheiro e hegemonia ao mundo. Cada lançamento espacial bem sucedido era tratado como vitória do modelo político daquele país, completamente exaltado e noticiado em qualquer jornal, entrevista e até mesmos discursos oficiais de cada parte política de ambos os países. A ciência é seu avanço, acabava se tornando um meio de tornar a imagem de cada país como propagação nacional, e não um avanço em si. Isso acaba levantando o debate que mesmo após do fim da URSS ainda diverge discussões e opiniões sobre: O que realmente motivou a corrida espacial? A curiosidade científica ou o desejo de hegemonia global?
Durante a corrida espacial, tanto quanto os EUA quanto a URSS utilizaram de recursos públicos para seus programas espaciais, refletindo não apenas um grande avanço científico, mas também interesse político e de países próximos. Nos Estados Unidos, o programa Apollo, que tinha em mente levar o homem à Lua, utilizou mais de US$ 25 bilhões na década de 1960, o que convertendo para o valor dos dias de hoje, a quantia alcançaria o valor de R$1,27 trilhões. Esse investimento representou 4% do orçamento acumulado por impostos entre 1964 até 1966, esses gastos foram feitos pela necessidade dos EUA em mostrar superioridade ideológica de modelo capitalista em comparação ao socialismo soviético.
Por outro lado, a União Soviética também investiu pesadamente em seu programa espacial, embora com menos valor monetário do que em comparação aos EUA, o sucesso em missões como o lançamento do Sputnik e o voo de Yuri Gagarin serviu para reforçar a imagem do sistema ideológico comunista como líder em inovação e progresso. Assim, os investimentos públicos na corrida espacial foram estratégicos, visando mostrar a influência global e o prestígio político de cada nação.
A Influência da Propaganda nas Conquistas Espaciais
Um dos maiores marcos desse período foi a transmissão global dos primeiros passos de Neil Armstrong na Lua em 1969. A câmera SEC Vidicon, capturou as imagens que foram transmitidas ao vivo para milhões de espectadores em todo o mundo. No Brasil, a TV Globo utilizou o satélite Intelsat III para transmitir o evento, marcando um momento histórico também na televisão brasileira.
A NASA e outras organizações utilizaram cartazes inspirados em filmes de Hollywood para promover suas missões. Por exemplo, o cartaz da Expedição 16 da NASA foi baseado no pôster do filme "Matrix". Esse marketing visava tornar as missões mais acessíveis e interessantes para o público, além de destacar os astronautas envolvidos.

A exploração espacial influenciou significativamente o cinema e a cultura popular. Filmes como "2001: Uma Odisseia no Espaço" (1968) refletiram o fascínio e as especulações sobre o futuro da humanidade no espaço. Além disso, a chegada do homem à Lua inspirou diversas produções cinematográficas e programas de televisão que exploravam temas relacionados à conquista espacial.

A chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969, representou um marco histórico de proporções globais, cujos impactos ultrapassaram a conquista tecnológica e científica. Este feito simbolizou a capacidade humana de superar desafios aparentemente impossíveis, inspirando gerações e redefinindo os limites da exploração espacial.
A missão ͏Apolo 11 não só garantiu ͏o liderança dos ͏Estados U͏nidos͏ na corrida espa͏cial, mas tamb͏ém ͏agi͏u como uma ferramenta para afirmar ͏ideia͏s ͏durante a ͏Guerra Fria.
A foto͏ de Neil Armstr͏ong cravando a bandeira americana no chão da Lua virou um si͏mbol͏o potente de superio͏rida͏de tecnológica e política, manda͏n͏do uma me͏n͏sagem clara de sucesso do sistema cap͏it͏alist͏a em cima do socia͏lista. Além disso os ͏astr͏onautas fizeram viagens p͏romocio͏n͏ais ao redor por todo mundo i͏ncluindo ͏u͏ma vi͏sita ao Brasil em outubro de 1969 reforçando o prestígio internacional dos Estad͏os U͏nidos.

O legado da chegada à Lua estende-se também ao avanço científico e tecnológico. O programa Apollo impulsionou o desenvolvimento de diversas tecnologias que hoje fazem parte do cotidiano, como o GPS, a telefonia por satélite, previsões meteorológicas mais precisas, roupas antichamas, sensores de incêndio, entre outros. Além disso, as amostras de rochas lunares coletadas durante as missões permitiram a descoberta de novas variedades de minerais, ampliando o conhecimento sobre a formação da Lua e do sistema solar.
Culturalmente, a exploração lunar influenciou profundamente a percepção da humanidade sobre seu lugar no universo, a fotografia "Nascer da Terra", capturada pela missão Apollo 8, mostrou pela primeira vez a Terra vista do espaço, inspirando movimentos ambientais e reforçando a consciência sobre o formato do planeta.

Em reconhecimento a esse feito histórico, a Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu, em 2021, o Dia Internacional da Lua, celebrado anualmente em 20 de julho. A data visa promover a cooperação internacional na exploração do espaço e conscientizar sobre questões como o lixo espacial e a prevenção de uma corrida armamentista no espaço.
Assim, a chegada do homem à Lua não foi apenas uma vitória aos EUA, mas um avanço significativo para toda a humanidade, demonstrando o potencial coletivo de alcançar objetivos extraordinários por meio da ciência.
Entre o Progresso e a Imagem: O Verdadeiro Legado da Corrida Espacial
Embora a Corrida Espacial tenha proporcionado avanços científicos significativos, é evidente que muitos dos esforços estavam profundamente enraizados em objetivos políticos e propagandísticos.
Desde o lançamento do Sputnik-1 em 1957, a União Soviética utilizou suas conquistas espaciais como ferramentas de propaganda para demonstrar a eficácia do comunismo e sua liderança tecnológica. Inicialmente, o governo soviético não explorou amplamente o feito, mas, diante da repercussão internacional, passou a enfatizar o sucesso como prova da superioridade do sistema socialista. O jornal Pravda, por exemplo, destacou o feito como uma vitória da ciência humana e da engenhosidade soviética.
Nos Estados Unidos, o impacto do Sputnik gerou preocupações sobre a segurança nacional e a necessidade de recuperar o prestígio internacional. O presidente John F. Kennedy, em seu discurso "Nós escolhemos ir para a Lua" em 1962, estabeleceu a meta de enviar um homem à Lua antes do final da década, não apenas como um desafio científico, mas como uma demonstração da superioridade do modelo capitalista.
O Programa Apollo, que realizou a chegada de Neil Armstrong à Lua em 1969, teve objetivos que iam além da exploração científica. Entre eles estavam estabelecer a tecnologia para cravar os interesses dos EUA no espaço sideral e obter proeminência no espaço para os Estados Unidos.
Além disso, a corrida espacial estava fortemente ligada à corrida armamentista. As tecnologias desenvolvidas para a exploração espacial, como os foguetes, também tinham partes militares, sendo utilizadas como mísseis intercontinentais. Essa dualidade reforçava a importância estratégica das conquistas espaciais no contexto da Guerra Fria.
Mesmo que a corrida espacial tenha impulsionado avanços científicos notáveis, é inegável que muitos de seus principais marcos foram motivados por interesses políticos e propagandísticos. As duas nações utilizaram o espaço como um palco para demonstrar sua superioridade ideológica, transformando conquistas científicas em símbolos de prestígio nacional.




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