Crise de 1929: O Colapso dos EUA e o Início da Grande Depressão
- Geo Expand

- 6 de mar. de 2025
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Introdução
Logo após a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos surgiram como a maior potência econômica mundial, aproveitando-se da fragilidade da economia europeia. Tiveram um crescimento acelerado, impulsionado pela industrialização, que é o processo de produção de bens em larga escala. Nos anos 1920, os EUA tiveram um forte crescimento industrial, principalmente nos setores de automóveis, inovações tecnológicas e um novo mercado financeiro. Esse período foi nomeado como “Loucos Anos 20”, caracterizado por um forte consumo interno da população e aumento da produção, gerando um grande otimismo na Bolsa de Valores. Porém, esse crescimento escondia falhas, que levariam a economia ao colapso em 1929, desencadeando uma das maiores crises econômicas mundiais da história.
O que é e como funcionava a Bolsa de Valores?
A Bolsa de Valores é um mercado onde investidores compram e vendem ações de empresas, que são pequenas partes de seu capital, ou seja, uma pequena fração dessa empresa, e quem compra acaba se tornando um de seus
acionistas. O valor de cada empresa sobe ou desce conforme a confiança dos investidores e seu desempenho.
Nos anos 1920, a Bolsa de Valores em Nova York estava em alta, impulsionada pelo crescimento econômico do país e pelo otimismo da população. Muitas pessoas, inclusive aquelas que não tinham grande conhecimento financeiro, investiram esperando um lucro rápido e acabaram pegando empréstimos para comprar ações.
O Liberalismo Econômico e o Caminho para a Crise
No decorrer dos anos 1920, os Estados Unidos adotaram um modelo econômico baseado no Liberalismo, caracterizado pela mínima intervenção do governo na movimentação financeira e no mercado econômico. Esse modelo permitia que o mercado funcionasse livremente, sem regulamentações rígidas
sobre bancos, empresas e a Bolsa de Valores. Ele incentivou um rápido crescimento econômico e investimentos nos EUA, mas também criou um ambiente de especulação descontrolada. Sem regras rígidas, muitas empresas inflaram artificialmente seus valores na bolsa, e os investidores compravam ações com dinheiro emprestado, confiando que os preços continuariam subindo. Quando a economia começou a desacelerar e os investidores perderam a confiança, o colapso da bolsa foi inevitável, dando início à Crise de 1929.
Quinta-feira Negra - Crash da Bolsa de Valores
Oficialmente, a Bolsa de Valores teve seu 'crash' no dia 24 de outubro de 1929, conhecido como a Quinta-feira Negra. Isso ocorreu devido à percepção da população sobre o declínio do mercado econômico estadunidense e o reerguimento do mercado europeu. Além disso, algumas empresas europeias entraram em falência, deixando a população insegura para investir mais dinheiro nesse mercado. Como forma de tentar recuperar o valor investido, grande parte da população começou a revender suas ações, resultando em aproximadamente 12 milhões de ações sendo colocadas à venda no mesmo
dia.
Por conta dos motivos listados anteriormente e da grande oferta de ações sendo revendidas, mas com pouca procura e interesse, os preços despencaram, resultando em uma quebra abrupta da Bolsa de Valores e na enorme desvalorização das ações, que chegaram a valer quase nada.
Os bancos, ao invés de simplesmente guardar o dinheiro dos clientes, o utilizavam para fazer investimentos em ações, aproveitando a alta do mercado financeiro. Quando a Bolsa de Valores desabou, esses investimentos perderam grande parte do seu valor. Como resultado, os bancos não tinham mais recursos para devolver os depósitos aos clientes, pois grande parte do dinheiro estava investida em ações desvalorizadas. Isso levou à falência de muitos bancos e a um colapso ainda maior da economia.
Por conta disso, a Crise de 1929 também é conhecida como a Grande Depressão, pois muitas pessoas perderam absolutamente tudo, levando algumas até ao suicídio.
Consequências da Quebra
Além disso, muitas empresas que haviam investido na Bolsa de Valores faliram, gerando uma onda de desemprego em massa e deixando aproximadamente um quarto da população estadunidense desempregada.
As consequências dessa quebra também chegaram ao setor agropecuário, pois a crise de grande produção e pouca demanda atingiu os campos. O exterior reduziu a importação de alimentos, e a população não comprava
devido à falta de dinheiro, tentando se estabilizar após a quebra da Bolsa de Valores e o desemprego. Isso levou muitas pessoas a dependerem de doações da Cruz Vermelha nos Estados Unidos, uma organização humanitária internacional fundada para prestar assistência em situações de emergência.

A imagem acima, uma das mais conhecidas da Crise de 1929, retrata trabalhadores em fila para receber doações da Cruz Vermelha. Ao fundo, um outdoor com a frase escrita "There's no way like the american way", que traduzido significa, "Não há melhor caminho como o caminho Americano". Essa imagem representa como os EUA eram vistos antes dessa crise: um país próspero e um modelo de vida para outras nações.
Crise Mundial, Econômica e do Liberalismo
Como os Estados Unidos eram vistos como um exemplo e a maior potência mundial, com o dólar sendo uma referência nos bancos mundiais e os EUA emprestando grandes quantias para bancos europeus, a crise de 1929 não se limitou ao território estadunidense e tornou-se uma crise mundial.
Grandes bancos europeus faliram nessa época, incluindo instituições da Alemanha, Itália e Inglaterra. Além disso, a crise não afetou apenas países europeus e vizinhos, mas também atingiu fortemente o Brasil, que dependia da exportação de café. Nessa época, o Brasil era conhecido como um país cafeicultor e quase entrou em colapso devido à falta de demanda, mas continuou produzindo café apesar da baixa procura.
Durante esse período e devido à enorme crise, a população estadunidense passou a questionar seu sistema econômico e o liberalismo, abrindo espaço para outras ideologias políticas, tanto de direita quanto de esquerda. A extrema esquerda foi vista como a "Ameaça Comunista", enquanto a extrema direita trouxe ideias como o fascismo e o nazismo.
New Deal: Regulamentação da Crise
Em 1932, ocorreram as eleições nos Estados Unidos, e Franklin D. Roosevelt, do Partido Democrata, venceu, tornando-se presidente no auge da crise econômica, sem expectativas imediatas de melhora. Ele apresentou o programa "New Deal", que ajudaria os EUA a saírem da crise e garantiria sua reeleição por mais três vezes nos anos seguintes.
O New Deal visava proporcionar recuperação e reforma à economia dos Estados Unidos e pode ser definido em três áreas principais:
Alívio: O objetivo nessa área era fornecer assistência imediata para os milhões de estadunidenses que estavam sofrendo devido ao desemprego e à pobreza. Franklin estabeleceu várias agências governamentais para ajudar diretamente as pessoas que estavam em situação de necessidade.
Civilian Conservation Corps (CCC): Criou empregos em projetos de conservação ambiental, como o plantio de árvores e a construção de parques nacionais.
Public Works Administration (PWA): Financiou grandes projetos de infraestrutura, como a construção de escolas, estradas e represas, gerando empregos.
Federal Emergency Relief Administration (FERA): Distribuiu dinheiro diretamente para estados e municípios que ofereciam ajuda financeira aos cidadãos.
Farm Credit Administration (FCA): Forneceu assistência financeira aos agricultores endividados.
Recuperação: O foco da recuperação era revitalizar setores- chave da economia e ajudar os negócios a se reerguerem. Isso incluiu políticas voltadas para a estabilização da indústria, agricultura e mercados financeiros.
National Industrial Recovery Act (NIRA): Essa área trabalhava com empresas para fixar preços e salários mínimos, além de melhorar as condições de trabalho.
Agricultural Adjustment Act (AAA): Buscou estabilizar o mercado agrícola pagando aos agricultores para reduzirem a produção, o que ajudava a aumentar o preço dos produtos e reduzir a superprodução.
Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC): Criou um seguro para depósitos bancários, garantindo até $5.000 de seguro, o que restaurou a confiança do público no sistema bancário.
Reforma: A reforma visava criar mudanças estruturais na economia para evitar futuras crises. Essas reformas criaram uma rede de segurança social e estabeleceram novas regulamentações econômicas.
Social Security Act (1935): Foi criado o sistema de seguridade social para garantir pensões para aposentados, benefícios de invalidez e assistência aos desempregados.
Securities Exchange Act (1934): Foi estabelecido a Securities and Exchange Commission (SEC) para regular o mercado de ações e prevenir práticas fraudulentas, como a especulação irresponsável.
Fair Labor Standards Act (1938): Estabeleceu o salário mínimo e as condições de trabalho, além de proibir o trabalho infantil.
Tennessee Valley Authority (TVA): Criou a maior rede de energia elétrica do país, trazendo eletricidade e infraestrutura para uma das regiões mais pobres dos EUA.
Conclusão
O New Deal foi um movimento contínuo de inovação política e econômica. Cada programa e reforma estavam interligados com o objetivo de recuperar a economia, criar empregos e dar maior segurança social. Muitas das agências criadas não duraram após o fim do New Deal, mas as reformas estruturais, como o Seguro Social e a regulamentação bancária, permaneceram.
No início, muitos criticaram o New Deal, acusando Roosevelt de ter ideias voltadas para o socialismo. No entanto, com o tempo, o programa foi visto como um marco na evolução do papel do governo na economia. Ele ajudou os Estados Unidos a sair da Grande Depressão, embora a recuperação total só tenha ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, quando a produção industrial se expandiu ainda mais.




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