Guerra dos 100 Anos: Como Ela Redefiniu a Idade Média
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- 19 de fev. de 2025
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Introdução
A Guerra dos 100 Anos, apesar do nome, durou 116 anos (1337-1453) e foi travada entre França e Inglaterra, marcando um dos períodos mais turbulentos da Idade Média. Com batalhas intensas intercaladas por longas tréguas, o conflito não só redesenhou os mapas políticos da Europa, como também trouxe o fim do feudalismo e avanços militares significativos que mudaram o rumo da história.
1. Contexto Histórico
Para contextualizar a Guerra dos 100 Anos, é importante entender como estava a Europa no século XIV, uma época marcada por um sistema político e econômico conhecido como feudalismo. Nesse sistema, os reis governavam com o apoio de nobres que controlavam grandes extensões de terra, enquanto a maioria da população vivia como camponeses, trabalhando para os senhores feudais.
A Igreja Católica era a principal instituição da época, exercendo grande influência sobre as decisões políticas e a vida cotidiana das pessoas. Esse contexto social criou uma Europa fragmentada, onde territórios eram constantemente disputados.
A Rivalidade entre França e Inglaterra
A tensão entre França e Inglaterra não começou com a guerra, mas vinha se desenvolvendo há séculos. Entre os principais motivos estavam:
• Disputas por terras: A Inglaterra controlava regiões na França, como a Aquitânia, o que gerava atritos sobre soberania.
• Relações complicadas: O rei britânico Eduardo III era sudito do rei da França por possuir terras em solo francês, o que criava um conflito de poder e orgulho.
• Comércio: A Inglaterra dependia do comércio com Flandres, enquanto a França queria controlar essa região rica e estratégica.
O Estopim: A Disputa pelo Trono Francês
O grande ponto da guerra foi a morte do rei francês Carlos IV em 1328, que não tinha deixado filhos. Então, Eduardo III, rei da Inglaterra e neto do 3° rei da França antes de Carlos IV, Filipe IV, gostaria de ser o próximo sucessor do trono, para poder controlar o comércio Francês. Entanto, os nobres franceses escolheram Filipe VI, baseando-se na Lei Sálica, que proibia mulheres e seus descendentes de herdarem o trono, já que a mãe de Eduardo III era filha de Filipe IV. Isso deu início a um longo conflito político e militar.
A Explosão das Tensões: A Ameaça à Autoridade Francesa e o Início do Conflito
Contextualização
Por conta de Eduardo III ter terras na França, principalmente na região da Gasconha e dever lealdade há Filipe IV, mas existirem nobres tão importantes em seu território, ameaçava a autoridade dos reis franceses e uma vez que os britânicos não estavam dispostos a ceder um território tão estratégico, com terras férteis e grandes oportunidades comerciais. Já Flandres, devido à sua significativa política e administrativa, destacou-se pela produção de lã, um dos principais produtos da região. E, contava com o apoio firme dos britânicos, uma vez que a maior parte dessa produção era originária da Inglaterra.
A França vinha tentando diminuir o poder Britânico em seu território, e Eduardo III estar tão próximo de pessoas economicamente importantes em região francesa, começou a importunar Filipe IV que tomou a ação de que para manter a autoridade de territórios franceses colocou tropas no Canal da Mancha, uma via marítima crucial entre a França e a Inglaterra.
A base do início da Guerra deu se em 1337 quando Robert III de Artois, um nobre francês que se tornou deportado na França por conta de falsificação de documentos para conseguir ter posse do Condado de Artois, uma região situada no norte da França, que originalmente pertencia a sua família e que foram deixadas de herança por seu avô Roberto II de Artois e acabou perdendo o direito das terras para sua tia Mahaut de Artois.
Como consequência dessa situação, Robert III foi intimado a prestar depoimento ao Filipe IV, o que ele não cumpriu e acabou fugindo para a Inglaterra, onde recebeu apoio dos britânicos.
Robert III influenciou Eduardo III a começar o conflito para conquistar a França e foi capaz de trazer informações sobre a corte francesa, Influenciado por essas informações e pelas ambições territoriais de Robert III, Eduardo III começou a considerar a possibilidade de reivindicar o trono francês. Eduardo III recusou-se a obedecer às exigências de Filipe VI para a expulsão de Robert III da Inglaterra. Como retaliação, Filipe VI confiscou o Ducado da Aquitânia, uma região de interesse estratégico para os ingleses. Esse ato de Filipe VI foi interpretado por Eduardo III como uma afronta direta e enviando tropas britânicas para essa região, Assim se iniciando formalmente a Guerra dos 100 Anos.
As Alianças e Expansão do Conflito na Guerra dos 100 Anos
Antes de contextualizar os conflitos diretos entre a Inglaterra e França, é importante ressaltar os países aliados e oponentes de cada país na época dentro do contexto da Guerra.
Alianças do Reino Francês:
Escócia: A aliança entre a França e a Escócia, conhecida como "A Aliança Antiga", foi fundamental para a França. A Escócia comprometeu-se a apoiar a França em caso de invasão inglesa, colocando a Inglaterra em uma posição complicada ao lutar em duas frentes.
Castela: O Reino de Castela, na Península Ibérica, inicialmente manteve uma posição neutra, mas posteriormente se aliou à França, especialmente durante o reinado de Henrique II de Castela, que buscava apoio francês contra a Inglaterra.
Reino de Aragão: O Reino de Aragão também se alinhou com a França em certos momentos, principalmente devido a interesses dinásticos e territoriais na região do Mediterrâneo.
Ducado da Borgonha: Inicialmente aliado da França, o Ducado da Borgonha mudou de lado ao longo do conflito, aliando-se à Inglaterra em 1419, o que alterou significativamente o equilíbrio de poder na guerra.
Alianças do Reino da Inglaterra:
Portugal: O Reino de Portugal manteve uma aliança com a Inglaterra, conhecida como Aliança Luso-Britânica, que perdurou por séculos e foi benéfica para ambos os países em termos comerciais e militares.
Navarra: O Reino de Navarra, localizado entre a França e a Espanha, teve uma relação complexa com a Inglaterra, alternando entre alianças com a França e a Inglaterra, dependendo das circunstâncias políticas da época.
Estados Papais: Os Estados Papais, sob a liderança do Papa, inicialmente mantiveram uma posição neutra, mas posteriormente apoiaram a Inglaterra em alguns momentos, especialmente devido a questões políticas e religiosas.
É importante ressaltar como as alianças na época eram divididas e neutras e poderiam se alterar facilmente, o que dificultava ainda mais os conflitos.
Primeira Fase - Início da Guerra e Conflitos Diretos (1337 - 1369)
Batalha de Crécy
Nos primeiros anos da Guerra, era mais focado em conflitos diretos e uma grande tensão entre as regiões dos dois países.
Porém uma das batalhas com mais destaque na época foi a batalha de Crécy, a primeira grande batalha oficial da Guerra que teve início em 26 de agosto de 1346.
Ocorreu sob o comando de Eduardo III, próximo à vila Crécy, em Ponthieu no Norte da França, Eduardo III posicionou suas tropas em três divisões e pontos estratégicos na meia-encosta da colina onde se manteve duas na linha de frente e uma na reserva, de acordo com historiadores e registros históricos o exercício de Eduardo III tinha por volta de 3000 cavaleiros,11000 arqueiros e 5000 soldados. Enquanto o exército Francês comandado por Filipe VI, tinha por volta de 12000 cavaleiros, 6000 besteiros genoveses mercenários (soldados especializados no uso de bestas, uma arma semelhante a um arco, mas era um mecanismo que permitia maior força e precisão ao disparo) e 20000 membros das milícias populares (milícias populares significa que eram cidadãos comuns, muitas vezes compostos por camponeses e moradores de cidades que se organizavam para apoiar o exercício oficial do país).
Filipe VI por ter um exército com um número majoritariamente maior e com armas mais avançadas, confiava em ter a vitória daquela batalha e acabaram avançando de forma desorganizada e sem nenhuma posição, diferente do Exército de Eduardo III e também por conta de que os besteiros (soldados que usavam as bestas) não conseguiram oferecer vantagem significativa, em parte porque suas armas eram menos eficientes que os arcos longos (longbows) usados pelos ingleses. Os besteiros também eram mercenários, e há relatos de que estavam mal pagos e mal preparados, o que reduziu sua eficácia.
Os arqueiros britânicos, conhecidos como "longbowmen," eram extremamente eficazes. Seus arcos longos tinham maior alcance, velocidade de disparo e precisão em comparação às bestas dos genoveses. Isso permitiu que os ingleses derrubassem os cavaleiros franceses antes que eles conseguissem se aproximar.
A batalha teve fim na mesma noite, com uma grande perda pro exército Francês e que levou mais de 1.500 cavaleiros franceses ao óbito, o que na época foram descritas como “insignificantes”.
Por conta dessa vitória, Eduardo III teve a chance de avançar para o norte e cercar a cidade de Calais, um ponto estratégico para a Inglaterra.
Consequências históricas e implicações da batalha
1. Superioridade do arco longo (longbow): A batalha demonstrou que o arco longo era uma arma superior à besta, devido ao maior alcance e rapidez no disparo. Isso solidificou sua reputação como uma arma decisiva nos combates medievais.
2. Declínio da tática de guerra feudal: A derrota da cavalaria pesada francesa mostrou que a combinação de arqueiros e infantaria organizada era mais eficiente do que as antigas estratégias baseadas na cavalaria feudal.
Isso marcou o início do declínio do sistema feudal, já que os nobres, responsáveis pela cavalaria, foram vistos como incapazes de proteger o reino.
3. Impacto no feudalismo francês: A derrota abalou a confiança no feudalismo como modelo de organização militar e política. Os senhores feudais franceses foram duramente criticados por sua incapacidade de liderar e defender o reino de maneira eficaz.
A Batalha de Crécy não foi apenas uma vitória militar para os ingleses, mas também um marco na transição de táticas medievais para estratégias militares mais modernas. Ela desafiou a supremacia da cavalaria feudal e destacou o potencial das armas de longo alcance, como o arco longo, enquanto enfraquecia o sistema feudal na França.
O Cerco de Calais (1346 - 1347)
Após a vitória em Crécy, Eduardo III teve a oportunidade de avançar para seu verdadeiro objetivo que era conquistar a região de Calais que era o ponto mais estreito e ficava na costa do Canal da Mancha e é por isso era um ponto estratégico para Inglaterra, dominar essa região ajudaria as tropas britânicas trazer seus equipamentos e tropas de um lado pro outro do mar
O Cerco na cidade teve início em setembro de 1346 e durou quase um ano, durante esse tempo, o exército da Inglaterra bloqueou todas as entradas da cidade, impedindo que alimentos chegassem a tropa francesas, porém isso também afetou a população da cidade que por conta da fome começou a devorar seus cães para sobreviver.
Os ingleses construíram um sistema de fortificações em torno da cidade, chamado de "Villa de Bois", para proteger seus próprios soldados de ataques de reforços franceses.
Como dito anteriormente, por falta de alimentos e sem chance de receber ajuda externa, a cidade foi reduzida à fome extrema e em Agosto de 1347, após 11 meses de resistência, a cidade foi forçada a se render a Eduardo III.
Segundo registros históricos, Eduardo III exigiu que os seis líderes da cidade se entregassem descalços, com cordas no pescoço carregando as chaves da cidade como símbolo de redenção. Eduardo III planejava executá-los como forma de punição por demorar tanto tempo para se render, mas foi convencido pela sua esposa e rainha Filipa de Hainault a poupar suas vidas, que estava grávida na época.
Relatos históricos dizem que Filipa se ajoelhou aos pés de Eduardo III antes dele executar os seis líderes da cidade e implorando para os poupar da morte. Esse ato ficou conhecido como um ato de bondade e trouxe o lado gentil e bondoso da rainha, e ficou marcado na história como um resquício de esperança diante da guerra.
A Chegada Da Peste Negra e Suas Consequências no Conflito
1. O que foi a Peste Negra?
Uma epidemia devastadora que atingiu a Europa no século XIV.
Causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos.
Matou milhões de pessoas, reduzindo drasticamente a população de várias regiões.
2. Impacto da Peste Negra nas populações
Estima-se que a população da Europa tenha sido reduzida pela metade.
A morte de tantas pessoas afetou diretamente a força de trabalho e a estrutura social.
3. Efeitos diretos na Guerra dos 100 Anos
Perda de soldados: A morte de civis e soldados enfraqueceu os exércitos ingleses e franceses.
Interrupção de batalhas: Muitas campanhas militares foram suspensas devido à escassez de soldados.
Desorganização nas frentes de batalha: A instabilidade social e a perda de recursos dificultaram a continuidade da guerra.
4. Consequências econômicas
A escassez de trabalhadores afetou a produção agrícola e a economia.
A guerra tornou-se mais difícil de sustentar devido à falta de recursos financeiros e mão de obra.
5. Mudanças sociais e políticas
A Peste Negra gerou um clima de desespero e incerteza, o que enfraqueceu o moral das tropas e da população.
O impacto na sociedade dificultou a mobilização para a guerra e criou um cenário instável para ambos os lados.
Batalha de Poitiers
Contextualização
Antes do início da Batalha de Poitiers, no dia 22 de agosto de 1350, o atual rei da França, Filipe VI, tinha vindo a óbito e seu cargo de rei foi passado para seu filho João II, que deu continuação à Guerra.
A Batalha de Poitiers deu-se início em 19 de setembro de 1356 no sudoeste da França, por parte do exército Francês do João II, o exército francês era muito maior do que o inglês. Os franceses tinham cerca de 20.000 soldados, enquanto os ingleses tinham apenas 7.000. Mas os ingleses tinham uma vantagem importante: eles usavam arqueiros com longbows (arcos longos), que como visto anteriormente, eram extremamente poderosos.
Início da Batalha: A batalha começou com os franceses tentando atacar os ingleses. A ideia dos franceses era envolver os ingleses e esmagá-los com sua cavalaria pesada (cavalos e soldados armados), mas o terreno estava lamacento e difícil, e a cavalaria francesa não conseguia se mover bem. Os arqueiros ingleses aproveitaram isso e atacaram a cavalgada francesa com suas flechas.
Durante o conflito, João II estava no meio da batalha, tentando liderar seus soldados. Ele estava montado em seu cavalo e tentando motivar suas tropas, mas a batalha não estava indo bem para os franceses, as forças francesas começaram a se desorganizar. Sua cavalaria estava sendo derrotada pelos arqueiros ingleses, e muitos dos soldados estavam mortos ou se rendendo
Quando ficou claro que os franceses estavam perdendo a batalha, João II tentou escapar. Ele tentou fugir com seus filhos e alguns cavaleiros, em busca de um caminho seguro. O rei queria sair do campo de batalha e se salvar, no entanto, enquanto tentava fugir, João II foi cercado pelos soldados ingleses. O Príncipe Negro (Edward, filho do rei da Inglaterra, Eduardo III. Conhecido por esse nome por conta de sua armadura e cavalo preto), estava comandando as tropas inglesas e viu a chance de capturar o rei francês, o que seria um golpe mortal para as forças francesas.
Quando os soldados ingleses cercaram o rei, ele não teve outra opção a não ser se entregar. João II foi capturado por volta de 19h, depois de tentar escapar, quando o Príncipe Negro capturou o rei francês, ele tratou João II com respeito, porque ele era um monarca, mas isso não impediu a derrota para os franceses.
Após a captura e negociação de João II
Após a captura de João II, ele foi levado como prisioneiro para Inglaterra ele só foi libertado em 1360, após o Tratado de Brétigny, mas a situação financeira da França era extremamente complicada e cheia de desafios e sua libertação não foi nada fácil.
Negociação para libertação do João II
Tratado de Brétigny (1360): Este tratado foi o que trouxe a liberação de João II. A França concordou pagar um resgate altíssimo de 3 milhões de escudos de ouro (o equivalente a centenas de milhões em valores atuais) e ceder vastos territórios à Inglaterra, como a Aquitânia.
Como garantia do pagamento, 40 reféns franceses foram enviados para a Inglaterra, incluindo os próprios filhos do rei.
Situação financeira da França
A França estava em um colapso econômico após a derrota em Poitiers por conta de diversas situações como a Peste Negra que como dito anteriormente tinha dizimado metade da população francesa o que acabou diminuindo a mão de obra na França e arrecadação de impostos.
A Grande Jacquerie
A Revolta da Jacquerie foi um grande protesto camponês que ocorreu na França em 1358, durante a Guerra. O nome "Jacquerie" vem do termo pejorativo "Jacques Bonhomme", usado pela nobreza para se referir aos camponeses como pessoas simples e rudes. Essa revolta foi um reflexo da insatisfação extrema da população camponesa com as condições de vida no período.
1. Causas da revolta
Pressão econômica: A Peste Negra (1347-1351) reduziu drasticamente a população, mas os impostos continuaram altos, e os camponeses precisavam sustentar os senhores feudais mesmo em tempos de colheitas ruins.
Destruição pela guerra: As batalhas da Guerra dos Cem Anos devastaram vilas e terras agrícolas, com as tropas (inclusive as mercenárias) frequentemente pilhando os camponeses.
Aumento de impostos: Para pagar o resgate do rei João II (capturado na Batalha de Poitiers), a Coroa aumentou os tributos, penalizando ainda mais os camponeses.
Humilhação e opressão pelos nobres: Os camponeses estavam sujeitos a abusos frequentes dos nobres, que continuavam a explorá-los sem oferecer proteção adequada contra as tropas invasoras.
2. Como a revolta começou?
A revolta começou na região de Beauvais, ao norte da França, quando grupos de camponeses começaram a atacar castelos e mansões nobres.
Os camponeses estavam frustrados com a incapacidade da nobreza de protegê-los e lideraram ataques violentos para destruir os símbolos do feudalismo.
3. Características da revolta
Violência contra os nobres: Os camponeses saquearam e incendiaram propriedades, mataram membros da nobreza e suas famílias, e buscaram vingança pelos anos de exploração.
Organização improvisada: Não havia uma liderança centralizada; a revolta foi espontânea e desorganizada, espalhando-se rapidamente para outras regiões da França.
Simbolismo: Os camponeses queriam destruir o sistema feudal, que representava sua opressão.
4. A reação da nobreza
A nobreza respondeu com brutalidade. Um exército liderado por Carlos II de Navarra e outras forças aristocráticas que atacaram os camponeses em várias regiões.
Em junho de 1358, as forças da nobreza esmagaram a revolta com extrema violência. Milhares de camponeses foram mortos, incluindo mulheres e crianças.
5. Consequências
Repressão intensificada: Após o fim da revolta, os camponeses enfrentaram punições ainda mais severas e maior vigilância por parte da nobreza.
Desconfiança entre classes: A Jacquerie aprofundou o ódio entre as classes camponesa e nobre, evidenciando as tensões sociais da França feudal.
Nenhuma melhora: Apesar do levante, as condições de vida dos camponeses permaneceram ruins, e a exploração continuou.
Como a França levantou o dinheiro?
Após a revolta de Jacquerine, para conseguir os fundos necessários, o governo francês tomou medidas desesperadas:
Aumento de impostos: A Coroa impôs tributos extras à população. Isso gerou ainda mais insatisfação e resistência.
Confisco de propriedades: O governo confiscou terras e propriedades de nobres ou cidadãos ricos que não apoiavam plenamente o rei.
Empréstimos e contribuições dos nobres: Nobres franceses, mesmo relutantes, contribuíram financeiramente para garantir a volta do rei.
Desvalorizante da moeda: A França desvalorizou sua moeda, o que causou inflação e instabilidade, mas ajudou a arrecadar mais fundos rapidamente.
Resultado
Mesmo após os esforços da França para tentar arrecadar o valor necessário para libertar João II e outros nobres e prisioneiros, nunca conseguiram arrecadar todo valor necessário. Por conta disso, seu filho Filipe II tentou fugir como ato de rebeldia e João II como forma de compensação pela ação de seu filho acabou se mantendo preso voluntariamente em 1364, onde acabou morrendo no mesmo ano.
A libertação de João II trouxe um breve alívio político, mas a França continuou devastada econômica e socialmente, com a guerra e os altos impostos mantendo a população insatisfeita.
Reinado de Carlos V
Carlos V se tornou oficialmente Rei da França em 1364 com a morte de seu pai João II, mas registros históricos mostram que Carlos já governava e cuidava de assuntos governamentais da França enquanto seu pai ainda estava sendo mantido de refém na Inglaterra.
Em 1360, antes de se tornar oficialmente rei da França, Carlos V assinou um contrato de paz com Eduardo III reconhecendo as regiões francesas ocupadas pelos ingleses como parte da coroa inglesa, enquanto por parte deles, se comprometeram a não tentar mais a posse do trono Francês.
Assim se encerrando oficialmente a primeira fase da Guerra dos 100 anos.
Segunda Fase - Uma Reviravolta na Guerra dos Cem Anos: A França Retoma o Controle (1369-1389)
Durante os primeiros anos da 2° fase da Guerra, a Inglaterra enfrentava sérios problemas econômicos, políticos e sociais que enfraqueceram seu domínio sobre as terras conquistadas na França e Carlos V foi se aproveitou das dificuldades internas da Inglaterra para romper o Tratado de Brétigny e retomar territórios franceses
Contextualização
A Inglaterra estava financeiramente debilitada devido aos custos elevados das campanhas militares e à manutenção dos territórios na França. Além disso, a arrecadação de impostos para sustentar essas despesas gerava descontentamento entre a população inglesa, especialmente entre os camponeses e a nobreza. A Revolta dos Camponeses em 1381 seria um reflexo disso, mas os sinais de instabilidade econômica já estavam claros na década de 1360.
Problemas de Saúde do Príncipe Negro
Edward, o Príncipe Negro, era um dos principais líderes militares ingleses, mas sua saúde começou a se deteriorar após 1367, quando ele participou de uma desastrosa campanha na Península Ibérica. Sua ausência no campo de batalha enfraqueceu a liderança militar da Inglaterra, deixando os territórios ocupados mais vulneráveis.
Conflitos Políticos Internos na Inglaterra
O reinado de Eduardo III estava em declínio. O rei envelhecido já não tinha o mesmo vigor para liderar, e disputas internas entre a nobreza inglesa começaram a emergir. A instabilidade na corte inglesa desviou o foco dos governantes de Londres para os problemas domésticos, reduzindo a atenção dedicada à França.
Apoio a Rebeliões Locais nas Terras Inglesas
Carlos V usou uma abordagem diplomática para enfraquecer o controle inglês, incentivando os senhores feudais e líderes locais nas terras sob domínio inglês a se rebelarem contra seus governantes. Ele ofereceu suporte militar e financeiro para fomentar a instabilidade nas regiões dominadas pela Inglaterra, como a Aquitânia.
Uso de Bertrand du Guesclin e a Estratégia de Guerrilha
Carlos V não confiava mais em grandes batalhas campais, que haviam sido desastrosas para a França na primeira fase da guerra. Em vez disso, ele empregou táticas de guerrilha sob a liderança de Bertrand du Guesclin, um general habilidoso e carismático. Essas campanhas atacaram áreas estratégicas de forma rápida e eficiente, desgastando os ingleses e retomando cidades como Poitiers e Limoges.
Justificativa para Romper o Tratado
Carlos V usou como pretexto o fato de Edward, o Príncipe Negro, estar sobrecarregando os nobres franceses na Aquitânia com pesados impostos. Ele alegou que isso violava os termos do Tratado de Brétigny, que deveria garantir certa autonomia aos territórios cedidos. Essa acusação foi usada para legitimar sua retomada das hostilidades.
A Reconquista dos Territórios Franceses
De 1369 a 1375, Carlos V conseguiu reconquistar boa parte dos territórios perdidos na primeira fase da guerra. Sob sua liderança, as forças francesas recuperaram cidades importantes, como La Rochelle, e reduziram significativamente a presença inglesa na França.
Instabilidades do trono ingles e revoltas na Inglaterra
Após muitos conflitos e instabilidades na primeira fase da Guerra dos 100 anos, Eduardo III acabou falecendo no dia 22 de junho de 1377 e seu sucessor natural seria Edward, O Príncipe Negro. Porém, ele acabou vindo a óbito um ano antes do seu pai.
Então, o próximo sucessor ao trono da Inglaterra se tornou o neto de Eduardo III, Ricardo II.
Porém, Ricardo II tinha somente dez anos de idade quando foi nomeado rei da Inglaterra e os primeiros anos de seu governo ficaram nas mãos de conselheiros da França e durante seus primeiros anos de governo precisou lidar com uma revolta camponesa em 1381 por conta do aumento de impostos no primeiro governo de Ricardo II.
Mas a situação foi rapidamente resolvida com o exército britânico que acabou perseguindo e assassinando os praticantes do protesto.
Problemas no trono e revoltas na França
No dia 16 de setembro de 1380, Carlos V e no dia 13 de julho de 1380, Bertrand du Guesclin acabaram vindo a óbito o que levou seu filho Carlos VI que na época tinha 11 anos de idade a se tornar o próximo rei da França.
Por ser muito novo e também por ter problemas de Saúde que na época o afastavam do trono, acabava deixando o governo da França nas mãos de conselheiros controlados pelos duques de Borgonha e Órlean mas existia conflitos internos entre esses eles e essa rivalidade evoluiu para um conflito interno e civil entre os os nobres da Borgonha e os apoiadores de Orléans. Esses conflitos se estenderam por quase trinta anos, causando um enfraquecimento significativo na França.
A Trégua de Leulinghem
A Trégua de Leulinghem, assinada em 1389, foi um acordo temporário de paz entre a França e a Inglaterra durante esse período. O tratado foi negociado em um momento de exaustão de ambos os lados, marcados por décadas de conflitos que deixaram os dois reinos debilitados econômica e militarmente.
Essa teve o objetivo de interromper os combates. O acordo estabeleceu uma suspensão das hostilidades por um período inicial de três anos, mas a paz acabou durando quase uma década. Durante esse período, houve uma diminuição significativa nas operações militares, o que trouxe certo alívio às populações devastadas pela guerra.
Apesar de reduzir temporariamente os conflitos, a trégua não encerrou as tensões entre os dois reinos. Eventualmente, as disputas territoriais e dinásticas reacenderam o conflito, e a guerra voltou a ser travada com força nas décadas seguintes. A Trégua de Leulinghem, no entanto, demonstrou como ambas as partes estavam, naquele momento, dispostas a buscar soluções temporárias para os problemas causados pelo longo confronto.
Terceira Fase - A Guerra Lancastriana (1415-1453)
Contextualização
Após a Trégua de Leulinghem e o período de instabilidade política na França e na Inglaterra, os eventos da Guerra dos 100 Anos continuaram a se desenrolar com algumas mudanças importantes.
A Restauração da Guerra e a Ascensão de Henrique IV e Henrique V
Henrique IV originalmente foi um aliado de Ricardo II, mas, ao longo do tempo, as relações entre os dois se deterioraram. O conflito teve origem nas tensões políticas dentro da corte e nas decisões impopulares de Ricardo II. Como o rei Ricardo II subiu ao trono ainda muito jovem, aos 10 anos, após a morte de seu avô, o governo foi dominado por conselheiros e regentes como dito anteriormente, mas, ao atingir a maioridade, Ricardo II começou a tomar decisões políticas de forma autoritária.
Henrique IV, na época, era um dos nobres mais poderosos do país e tinha uma influência considerável. No entanto, ele começou a se desiludir com a forma como Ricardo II governava, especialmente por conta de sua tendência a centralizar o poder, enfraquecendo a influência dos nobres, e de suas decisões financeiras impopulares, como a cobrança excessiva de impostos e a repressão de dissidentes políticos.
O Conflito e a Deposição de Ricardo II
O ponto culminante dessa tensão foi em 1397, quando Ricardo II tomou decisões drásticas para consolidar seu poder. Ele exilou ou executou vários nobres que considerava inimigos, Isso causou um grande ressentimento entre os nobres, especialmente porque Ricardo II estava começando a agir de forma ainda mais autoritária, sem ouvir as demandas da nobreza.
Em 1399, Henrique IV foi enfraquecido por uma ordem de Ricardo II que confiscava as terras da família Lancaster. Henrique IV decidiu que não poderia aceitar essa humilhação e viu uma oportunidade para tomar o poder. Com um exército de aliados, ele retornou à Inglaterra do exílio e marchou para Londres, alegando que estava apenas buscando a restauração de seus direitos.
Ricardo II, sem apoio militar significativo devido à sua impopularidade, acabou sendo forçado a abdicar do trono em 29 de setembro de 1399. O rei foi preso e, embora inicialmente tenha sido tratado com certa dignidade, acabou morrendo em 1400, sob circunstâncias misteriosas, provavelmente em decorrência de maus-tratos em sua prisão.
Legitimidade do Trono de Henrique IV
Após a deposição de Ricardo II, Henrique IV passou a enfrentar dificuldades para garantir a legitimidade de seu reinado, já que ele não era o herdeiro direto do trono. O fato de ele ser neto de Eduardo III, e não filho direto, gerou questões sobre a legalidade de sua ascensão. Por isso, ele precisou lidar com o desafeto de parte da nobreza e com a desconfiança dos partidários de Ricardo II, o que acabou resultando em rebeliões durante seus primeiros anos de governo. Henrique IV teve que combater algumas revoltas, como a Revolta dos Lollardos (cujos membros eram partidários de Ricardo II) e várias tentativas de derrubá-lo, mas conseguiu estabelecer o controle ao longo do tempo.
O Conflito Retoma com Henrique V
Com a ascensão de Henrique V ao trono inglês em 1413 após a morte de Henrique IV, a guerra entrou em uma nova fase. Henrique V não apenas reafirmou as ambições inglesas sobre a França, mas também aproveitou a fraqueza política e militar da França, que ainda estava dividida pela guerra civil entre os Borgonha e os Orléans.
Henrique V buscou reforçar suas reivindicações sobre o trono francês, especialmente com a luta por terras que haviam sido cedidas a seu pai e avô, incluindo a Normandia e outras regiões do norte da França. Em 1415, ele iniciou uma nova campanha militar na França, e em 1415, obteve uma vitória decisiva na Batalha de Azincourt, onde as forças inglesas, em número inferior, derrotaram completamente as tropas francesas. Isso enfraqueceu ainda mais a posição da França.
3. O Tratado de Troyes (1420)
Em 1420, as tensões dinásticas foram resolvidas de uma forma dramática, com a assinatura do Tratado de Troyes. Este tratado foi fundamental para a história da Guerra dos 100 Anos, pois ele reconheceu Henrique V como o herdeiro legítimo do trono francês, e ele casou com Catarina de Valois, filha do rei francês Carlos VI. Esse casamento deveria garantir que os filhos do casal, se tivessem filhos, fossem os futuros reis da França, o que colocava a dinastia inglesa como sucessora legítima da França. Esse tratado dividiu ainda mais a França, uma vez que os apoiadores do delfim Charles (futuro Carlos VII) rejeitaram esse acordo.
A vangloriosa Joana D'Arc
Após esse tratado, o rei da França Carlos VI acabou falecendo em 21 de outubro de 1422, deixando como herdeiro do trono Carlos VII que na época tinha somente 9 meses de idade.
Apesar da morte do contrato de Troyes, os franceses não acolheram as normas e avançaram contra os ingleses com o objetivo de recuperar os territórios perdidos. Nesse período, surge uma das figuras mais importantes e vangloriosas dessa época, Joana D'Arc.
Quem era Joana D'Arc? E qual foi seu impacto na Guerra dos 100 anos?
Joana d'͏Arc foi uma camponesa da França que virou u͏ma ͏das figuras͏ mais fa͏mosas durante a Guerra dos 100 Anos͏. El͏a nasceu em 1412, em Domrémy͏, e disse que͏ t͏eve v͏isões e men͏sagens do céu, que a guiavam a ͏a͏judar o rei ͏Carlos VII e apoiar ele para pegar de v͏olta o trono da͏ França, que est͏ava sendo disputado pelos ingleses.
Com só 17 anos, Joana convenceu C͏arlos͏ VII ͏a confiar-lhe um exército e ͏em 1429, ela teve͏ um papel importante na vitória dos franceses sobre os i͏ng͏leses na Batalha de͏ Orléans, que foi um͏ ponto chave na guerra.͏ Esse ato melho͏rou o ânimo d͏as tropas fra͏ncesas e abriu caminho para a coroação do Carlos VII͏ como rei ͏da França em Reims͏.
Mas, Joana foi pega pelos ingl͏eses em 1430 e levada a um ͏juiz religioso on͏de ela foi jul͏gada por͏ cren͏ças ͏erradas feitiçaria. Em 1431, ela foi condenada e queimada na fogueira em Rouen aos dezenove anos.
Após sua morte, o exército liderado por Joana e que apoiavam o rei Carlos VII se mantiveram na guerra e conseguiram conquistar a cidade de Bordeaux, uma das últimas terras francesas sobre posse dos ingleses
Batalha de Castillon e o Fim da Guerra
A Batalha de Castillon foi a última batalha significativa da Guerra dos Cem Anos, marcando a virada final a favor da França. Ela ocorreu em 17 de julho de 1453, e seu desfecho teve grande importância na história da guerra, consolidando a vitória francesa.
Localização e Importância Estratégica: A batalha foi travada perto da cidade de Castillon, no sudoeste da França, a cerca de 20 quilômetros de Bordéus. Essa região era de grande importância porque Bordéus era um dos principais territórios ainda sob controle inglês.
A Situação da França: Após o resultado do trabalho de Joana d'Arc e a liderança de Carlos VII, os ingleses estavam em uma posição mais fraca, com a França recuperando várias partes do território.
2. Preparativos para a Batalha
Exército Francês: O exército francês estava sendo liderado por Jean Bureau, um comandante altamente habilidoso, que havia comandado com sucesso as forças francesas em várias batalhas nos últimos anos da guerra. Jean Bureau planejou uma emboscada cuidadosa para os ingleses.
Exército Inglês: O comandante inglês era John Talbot, um experiente líder militar que já havia vencido muitas batalhas, mas enfrentava sérios desafios. Os ingleses estavam em uma posição vulnerável, em parte porque o rei Henrique VI da Inglaterra era um jovem mentalmente instável, e o país estava sobrecarregado por problemas internos.
3. A Batalha de Castillon
Início da Batalha: As forças inglesas, lideradas por John Talbot, estavam posicionadas fora das muralhas de Castillon. Elas tentavam forçar um cerco à cidade, mas Jean Bureau, comandante das tropas francesas, preparou uma emboscada. Ele posicionou suas tropas atrás de colinas e árvores, o que permitiu um ataque surpresa.
A Estratégia Francesa: Os franceses usaram sua artilharia de forma muito eficaz, algo que era relativamente novo na época. A artilharia francesa, composta por canhões, começou a bombardear as forças inglesas de longe, antes mesmo de uma luta corpo a corpo. Essa vantagem tecnológica foi crucial.
A Vitória Francesa: Quando os ingleses tentaram reagir e se reorganizar para um ataque, os franceses já haviam tomado o controle da situação. As forças de Talbot estavam desorganizadas e não conseguiram resistir ao avanço das tropas francesas.
4. Morte de John Talbot e Consequências
Morte de Talbot: Durante a batalha, John Talbot foi gravemente ferido e morto. Sua morte representou um golpe significativo para os ingleses, pois ele era um dos maiores líderes militares da Inglaterra.
Rout das Forças Inglesas: Com a morte de Talbot e o impacto da artilharia francesa, o exército inglês foi derrotado de forma esmagadora. Os ingleses foram forçados a recuar, e muitos foram mortos ou capturados durante a retirada.
5. A Importância da Vitória Francesa
Recuperação de Bordéus: Com a derrota inglesa na Batalha de Castillon, a cidade de Bordéus, que estava sob controle inglês desde 1154, foi finalmente recuperada pelos franceses. Isso marcou a retomada de todo o território francês que os ingleses ainda controlavam.
Fim das Posses Inglesas na França: Após a batalha, o único território que ainda estava sob domínio inglês na França era Calais, que permaneceria sob controle inglês até 1558. A vitória francesa foi a culminação de uma série de vitórias nos últimos anos da guerra e representou o fim do sonho inglês de conquistar a França.
6. O Fim da Guerra dos Cem Anos
Com a vitória na Batalha de Castillon e a retomada de Bordéus, a Guerra dos Cem Anos chegou ao seu fim. O tratado que selou essa vitória foi o Tratado de Picquigny (1470), mas a guerra, de fato, havia terminado com o domínio francês sobre a maior parte de seu território.
Causas da Vitória Francesa:
1. A Liderança de Carlos VII: O rei francês, Carlos VII, foi um dos principais responsáveis pela reestruturação do exército francês e pelo fortalecimento do poder central.
2. A Morte de Henrique V: Com a morte de Henrique V da Inglaterra e a ascensão do frágil Henrique VI, a Inglaterra perdeu sua capacidade de manter a pressão sobre a França.
3. Problemas Internos na Inglaterra: O enfraquecimento do poder inglês foi exacerbado pela instabilidade política interna na Inglaterra, que culminou na Guerra das Duas Rosas.
4. A Eficácia da Artilharia Francesa: O uso de canhões e artilharia nas últimas batalhas foi um diferencial crucial para a vitória francesa, tornando a guerra cada vez mais uma disputa de poder bélico e menos de confrontos tradicionais.
Consequências para a Inglaterra e a França
França: Após a guerra, a França conseguiu restaurar seu território e seu poder, mas a guerra deixou cicatrizes profundas. O país estava devastado pela longa luta, e o governo de Carlos VII teve de reconstruir a economia e a estabilidade social. Ainda assim, a vitória foi crucial para a unificação do país sob um único monarca.
Inglaterra: Para os ingleses, a derrota foi catastrófica. O fracasso em conquistar a França significou uma grande perda de prestígio e riqueza. Além disso, a instabilidade interna e o enfraquecimento da monarquia levaram à Guerra das Duas Rosas, que começaria logo após a derrota e duraria até 1487, marcando um período de instabilidade política e social na Inglaterra.
Conclusão
A Batalha de Castillon não foi apenas a última batalha significativa da Guerra dos Cem Anos, mas também simbolizou a definitiva virada do conflito a favor da França. A vitória francesa na batalha, junto com a morte de John Talbot e a recuperação de Bordéus, marcou o fim de mais de um século de guerra. Para a Inglaterra, foi uma derrota estratégica e política significativa, que levou a sérios problemas internos, enquanto a França emergiu da guerra com uma maior centralização e controle sobre seu território.
Esse final da guerra consolidou a dinastia dos Valois na França e enfraqueceu a presença inglesa no continente europeu, mas também deixou cicatrizes profundas nas duas nações.




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