Primeira Revolução Industrial: A Era da Transformação
- Geo Expand

- 28 de fev. de 2025
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A Revolução Industrial foi um período de transformação econômica e social no século XVIII que englobou, principalmente, as potências europeias.
Foi historicamente dividida em três principais fases, datadas respectivamente pelos anos:
- Primeira Revolução (1760-1840);
- Segunda Revolução (1850-1945);
- Terceira Revolução (1945-final do século XX).
Ao longo do tempo, a prática industrial foi difundida por todo o mundo, originando o sistema de produção que conhecemos nos dias de hoje.
Contexto Histórico e Antecedentes
Antes da Primeira Revolução Industrial, a economia europeia era baseada no mercantilismo (pode ser tratado como um pré-capitalismo), o qual prezava, especialmente, pelo acúmulo de metais como forma de riqueza. Algumas das práticas desse sistema envolviam o colonialismo e o protecionismo, por exemplo.
Contudo, a maior parte da população ainda vivia no campo, praticando a agricultura, e a produção da época era inteiramente artesanal, ou seja, feita manualmente e dentro de casa por profissionais chamados "artesãos". Assim, os bens eram produzidos em pequena escala e, pela habilidade envolvida, possuíam custos muito altos.
A Ciência Revolucionária
Apesar disso, tudo começou a mudar com o surgimento do racionalismo científico: uma corrente ideológica que percorreu a Europa no século XVIII. Seus principais conceitos eram baseados no uso do pensamento científico e racional, o qual seria produzido através da experimentação prática.
Assim, por meio da valorização da razão e do desenvolvimento da ciência, foi possível pensar novas técnicas que agilizassem e tornassem mais prática a confecção dos produtos daquele tempo.
Por que o pioneirismo inglês?
Nesse processo de transformações, a Inglaterra foi o primeiro destaque. Dessa forma, sua liderança se deu por uma série de fatores:
- Possuía grandes reservas naturais de matérias-primas, como jazidas de ferro e carvão, que seriam utilizadas amplamente durante a Revolução.
- Abrigava uma classe burguesa numerosa e mais desenvolvida, a qual conduziria a Revolução das indústrias.
- Já possuía espaço no mercado europeu, com o comércio desde a Idade Média à Idade Moderna, e um grande mercado interno devido ao comércio colonial.
- Havia uma massiva população desalojada de suas terras que poderia servir como mão de obra barata, devido à política de cercamento, que transformou terras comunais em propriedades privadas.
A Primeira Revolução Industrial
A Revolução veio a ocorrer de fato no ano de 1760, com as primeiras transformações na Inglaterra. Esta foi marcada pela transição da produção manufatureira para uma produção industrial, com a substituição do trabalho feito à mão pelo uso de máquinas.
O primeiro e principal setor a ser afetado foi a área têxtil, em 1764, quando James Hargreaves desenvolveu a primeira máquina de fiar, que seria apenas um ponto de partida para diversas outras invenções nesse setor, como o tear mecânico e o descascador de algodão.
Porém, essas não foram as únicas invenções desse período. Os meios de locomoção e a produção energética também foram profundamente modificados. Nesse sentido, destacam-se a criação da máquina a vapor por James Watt e as primeiras locomotivas e ferrovias derivadas dessa. Tais novidades permitiram agilizar o transporte de mercadorias e pessoas por todo o país.
Além dos adventos tecnológicos, a Primeira Revolução Industrial foi marcada pelo surgimento das fábricas nas grandes cidades e, consequentemente, um grande movimento de urbanização, no qual os trabalhadores migravam do campo ao espaço urbano em busca de trabalho.
Nesse viés, o conceito de trabalho também foi transfigurado completamente:
Antigamente, para produzir um sapato, era necessário um sapateiro que soubesse realizar cada uma das etapas de fabricação daquele sapato, desde comprar a matéria-prima até os ajustes finais.
Entretanto, com a Revolução, o trabalho passou a ser dividido em funções específicas, então, não era necessária uma mão de obra qualificada que soubesse realizar todos os processos, mas sim um trabalhador para limpar o couro, outro para cortá-lo, outro para costurar... e assim por diante, até que se chegasse ao produto final.
Dessa forma, o operário desempenhava uma única função dentro do ambiente fabril por horas, repetidamente, permitindo a produção em massa de um único produto com muito mais velocidade.
O fim da Primeira Revolução Industrial se deu entre 1840 e 1850, quando novos avanços começaram a surgir, dando início ao que viria a ser a Segunda Revolução Industrial.
"Revolução para quem?"
Apesar de todos os avanços que a industrialização foi capaz de efetivar, a vida, definitivamente, "não era toda cor de rosa".
A Revolução não foi capaz de atingir a todas as classes sociais e regiões. Muitas populações, mais distantes ou menos privilegiadas, foram excluídas desse processo, agravando ainda mais sua desvantagem e as desigualdades sociais.
Ademais, o crescimento e estabelecimento da classe burguesa que se deu a partir desse período (aqueles que assumiam o controle das indústrias e comércios, considerados "donos dos meios de produção") era, em muito, obtido por meio da exploração das classes mais baixas.
Os operários, por sua vez, trabalhavam em jornadas exaustivas de até 18 horas por dia, sob condições precárias, realizando tarefas repetitivas e sem nenhum direito trabalhista. Logo, esse modo de vida insalubre se tornou indignação e alguns movimentos contra a Revolução começaram a surgir.
Como exemplo, o Ludismo foi um protesto de trabalhadores fabris insatisfeitos com a substituição de seus trabalhos por máquinas e resolveram se unir em sindicatos para organizar invasões às indústrias para quebrar e destruir a maquinaria.
Quarta Revolução Industrial?
Uma curiosidade é que, nos dias de hoje, é debatido entre os historiadores se estamos passando por uma nova Revolução Industrial, uma quarta fase desse período, em meio às amplas descobertas sobre tecnologia, como Inteligências Artificiais e Biotecnologia.
Essa hipótese já é aceita pela maioria dos estudiosos contemporâneos e demonstra a importância histórica do nosso tempo.
Conclusão
Em síntese, a Primeira Revolução Industrial foi um marco decisivo na história da humanidade, trazendo transformações profundas para a economia, a sociedade e o cotidiano das pessoas.
Inicialmente, o legado desse período é visível em praticamente todas as esferas da vida contemporânea. O estabelecimento do capitalismo moderno e o desenvolvimento tecnológico são exemplos da herança direta dessa revolução.
Por outro lado, a compreensão das origens de muitas das questões que ainda enfrentamos, como as desigualdades econômicas, as condições de trabalho, os debates sobre automação e inteligência artificial ou simplesmente entender o mundo e o sistema em que vivemos atualmente, pode vir da reflexão sobre esse tema tão relevante.





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