Segunda Revolução Industrial: O que foi e como aconteceu?
- Geo Expand

- 10 de mar. de 2025
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INTRODUÇÃO
O modelo de produção industrial consiste em substituir as manufaturas, trabalhos manuais e artesanais pela produção em indústrias, propriedades privadas que têm como objetivo aumentar significativamente o lucro e a velocidade com que as mercadorias são produzidas.
Para que essa mudança fosse possível, era necessário que houvesse pessoas para comandar as indústrias, ou, nesse caso, uma classe social inteira: a burguesia. A partir das chamadas Revoluções Burguesas (como a Revolução Francesa e a Reforma Protestante), essa classe alcançou posições de grande poder econômico, tornando-se capaz de desenvolver o novo modelo de produção.
O INÍCIO
Esse processo teve início na Inglaterra, permitindo que o país se modernizasse muito antes de outras nações europeias. Como consequência, as mercadorias inglesas passaram a se destacar no mercado internacional. O mercado consumidor europeu, então, demonstrou preferência pelos produtos ingleses, tornando-os competitivos em relação às mercadorias locais e levando algumas economias a sérias crises, uma vez que deixavam de lucrar com seus próprios bens materiais. Para remediar esse problema, foi necessária uma expansão industrial para além da Inglaterra, ou seja, outros territórios começaram a implementar indústrias nacionais. Isso gerou uma ampliação da concorrência entre os mercados industrializados e trouxe grandes mudanças na sua organização.
ANALOGIA
Para compreender a Segunda Revolução Industrial, é essencial analisar os tipos específicos de indústrias que se desenvolveram nesse período. Entre elas, destacam-se a Indústria Química, responsável por manejar derivados do petróleo; a Indústria Metalúrgica, voltada para a extração e o processamento de minérios e ligas metálicas; e a Indústria Automobilística, impulsionada pelos avanços na metalurgia e na produção em larga escala. Esses setores industriais foram favorecidos por grandes descobertas científicas que os antecederam, principalmente pelo uso da energia elétrica em grande escala.
Com a aplicação do conhecimento científico nas fábricas, foi possível elaborar métodos para otimizar a produção. Apesar de possuírem certas diferenças entre si, esses métodos se complementam e compartilham o mesmo objetivo: aumentar o lucro, a velocidade e a eficiência do processo produtivo. Os dois principais métodos implementados durante a Segunda Revolução Industrial foram o Taylorismo, que consistia na organização das indústrias em setores e especialização dos trabalhadores em cada etapa, tornando o sistema mais eficiente e melhorando a qualidade das mercadorias, e o Fordismo, que manteve a organização setorizada e introduziu a esteira rolante, permitindo aos trabalhadores realizarem suas funções de forma mais rápida e eliminando a necessidade de deslocamento dentro da fábrica.
Como consequência, os países passaram a produzir grandes quantidades de mercadorias industrializadas para o comércio interno, caracterizando sua população como um amplo mercado consumidor.
Com a eficiência proporcionada pelos novos métodos de produção, os consumidores europeus passaram a ter uma vasta oferta de mercadorias. Com o tempo, a capacidade de produção superou a demanda interna nos países industrializados. Caso esse cenário persistisse, os lucros cairiam drasticamente, podendo desencadear uma crise econômica em toda a Europa. Para evitar esse problema, tornou-se necessário ampliar o mercado consumidor. Assim, surgiu o Neocolonialismo. Diferente do colonialismo praticado por países como Espanha e Portugal no século XVI, que buscava matéria-prima e produtos escassos na Europa, esse novo modelo de colonização visava explorar territórios pouco industrializados, como a Ásia e a África, e exportar mercadorias para esses locais. Além disso, a população nativa desses territórios era forçada a consumir os produtos europeus, tornando-se um mercado consumidor alternativo. Esse processo resultou em várias consequências, como a Partilha da África e uma série de conflitos de interesse entre as potências europeias pelo domínio desses territórios. Paralelamente, a cultura europeia foi imposta de maneira rigorosa, gerando revoltas e resistência entre as populações locais.
O aumento da produção, impulsionado pela adoção de novas tecnologias e métodos de produção em massa, intensificou a exploração dos trabalhadores. Os operários passaram a enfrentar jornadas exaustivas, condições de trabalho degradantes e salários inadequados. Embora esses avanços tenham elevado a competitividade e os lucros das indústrias, também ampliaram as desigualdades no ambiente fabril, causando profundo descontentamento entre os trabalhadores. Sentindo-se desvalorizados e sobrecarregados, os operários começaram a se organizar em sindicatos, promovendo greves e manifestações para exigir melhores condições de trabalho e o reconhecimento de seus direitos.
A consolidação das linhas de produção, iniciada na Revolução Industrial, estruturou a sociologia do trabalho com base na padronização e na racionalização das tarefas. Além disso, os países subdesenvolvidos, historicamente marcados pelo processo de colonização, enfrentam consequências profundas desse sistema. A imposição de um modelo produtivo alheio às suas realidades locais gerou dependência econômica e exploração contínua de seus recursos naturais. Isso dificultou o desenvolvimento autônomo dessas nações, criando barreiras para uma evolução social equilibrada.

CONCLUSÃO
A Segunda Revolução Industrial foi um divisor de águas, introduzindo inovações tecnológicas que transformaram os métodos de produção, intensificaram a competitividade entre as indústrias e expandiram o mercado consumidor. Essas mudanças não apenas reconfiguraram as estruturas econômicas e sociais da época, mas também deixaram um legado que ainda influencia a produção e o consumo nos dias atuais. Ao refletirmos sobre esse período, percebemos que momentos de transformação profunda têm o poder de redesenhar o futuro de uma civilização, influenciando não só as práticas industriais e comerciais, mas também as relações sociais e a cultura coletiva.
Autoria: Sophia Sampaio Quinteiro.




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